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Fóssil de réptil encontrado no Brasil pode ajudar a desvendar as origens comuns de dinossauros e crocodilos

Silescelida acristata, descoberto no Rio Grande do Sul

Brasil
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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Uma descoberta feita no Rio Grande do Sul pode ajudar cientistas a compreender um dos capítulos mais importantes da evolução dos vertebrados terrestres. Pesquisadores identificaram uma nova espécie de réptil que viveu há cerca de 240 milhões de anos e que pode representar uma peça-chave para entender como surgiram os ancestrais comuns dos dinossauros e dos crocodilos.

Batizado de Silescelida acristata, o animal foi encontrado em rochas do município de Dona Francisca, na região central do Rio Grande do Sul, área que integra o Geoparque Quarta Colônia, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com a UFRGS e a PUCRS, e publicado na revista Scientific Reports.

Nem dinossauro, nem crocodilo

O pequeno réptil viveu durante o Triássico Médio, aproximadamente 12 milhões de anos após a maior extinção em massa da história da Terra, ocorrida no fim do período Permiano. Naquele momento, os ecossistemas ainda estavam se recuperando, enquanto novos grupos de animais começavam a ocupar os espaços deixados pelas espécies extintas.

Embora não fosse um dinossauro nem um crocodilo, o Silescelida acristata fazia parte dos arcossauriformes, grupo de répteis que deu origem aos arcossauros, linhagem que, milhões de anos depois, originaria crocodilos, dinossauros e, consequentemente, as aves.

Com porte semelhante ao de um pequeno jacaré, o animal possuía um corpo esguio e caminhava sobre quatro patas. Os pesquisadores acreditam que ele fosse um pequeno predador, alimentando-se de animais menores que compartilhavam o ambiente.

Apesar de o fóssil preservar principalmente ossos dos membros, os cientistas afirmam que esse material forneceu informações valiosas sobre sua biologia. O fêmur, por exemplo, indica que o animal possuía uma postura mais ereta do que muitos répteis anteriores, com as pernas posicionadas mais abaixo do corpo. Essa adaptação tornava a locomoção mais eficiente e representa uma importante etapa na evolução das características que mais tarde contribuiriam para o sucesso dos dinossauros e dos crocodilos.

Réptil e mapa | Créditos: Matheus Fernandes Gadelha Réptil e mapa | Créditos: Matheus Fernandes Gadelha

As análises também sugerem que a nova espécie pertence a uma linhagem próxima dos Euparkeriidae, um grupo raro de arcossauriformes conhecido anteriormente apenas por fósseis encontrados na África, Ásia e Europa. A pesquisa brasileira amplia significativamente a distribuição geográfica desse grupo e, ao que tudo indica, esses animais estavam muito mais espalhados pelo planeta durante o Triássico do que se imaginava.

O próprio fóssil também possui uma história curiosa. Parte do material permaneceu desaparecida por mais de 20 anos, justamente o fragmento que continha informações fundamentais sobre sua origem. Somente em 2022, durante uma revisão da coleção científica da PUCRS, os pesquisadores localizaram a peça perdida, permitindo confirmar sua procedência e descrever oficialmente a nova espécie.

O nome Silescelida faz referência a esse longo período em que parte do fóssil permaneceu "em silêncio", enquanto acristata significa "sem crista", em alusão à ausência de uma estrutura óssea presente na maioria de seus parentes próximos.

Rio Grande do Sul é uma das regiões mais relevantes do mundo para o estudo dos animais que viveram durante o Triássico. Mesmo fósseis fragmentários, como este, podem revelar detalhes fundamentais sobre a evolução dos primeiros parentes dos dinossauros e crocodilos, ajudando a reconstruir como a vida terrestre se reorganizou após a maior crise biológica já registrada no planeta.

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