O Tailwind é um dos frameworks CSS mais populares para geração de interfaces de usuário entre os desenvolvedores atualmente. No entanto, justamente quando a startup vivenciava um de seus melhores momentos, teve que demitir 75% de sua equipe de desenvolvimento por um motivo cada vez mais comum: o impacto da IA.
Código gratuito
A situação dessa startup de software é paradoxal, já que o código que desenvolvem é usado por um número crescente de desenvolvedores, mas a chegada da IA fez com que seus potenciais clientes pudessem obter o código gratuitamente, em vez de comprá-lo da empresa que o produz. Na realidade, o problema dessa pequena empresa é apenas um exemplo de como a IA está impactando setores inteiros, transformando completamente seus modelos de negócios.
Um desastre para uma startup
Comparado aos números envolvidos em demissões em grandes empresas, a demissão de três engenheiros não é um número impressionante. Contudo, para uma startup com uma equipe de quatro desenvolvedores, o número é devastador em sua escala.
Como o CEO Adam Wathan publicou no GitHub: "75% da nossa equipe de engenharia perdeu o emprego devido ao impacto brutal que a IA teve em nossos negócios".
Quando a popularidade não paga as contas
O "impacto" ao qual Wathan se refere em sua resposta é nada menos que uma queda de 80% na receita da empresa, mesmo com seu framework CSS se tornando um dos mais populares entre os desenvolvedores. Seu modelo é baseado em templates e módulos de código aberto para uso básico, que se tornam pagos à medida que escalam.
Para a Tailwind, sua documentação online é fundamental, pois é onde usuários e desenvolvedores que exploram seus templates gratuitos descobrem os produtos pagos e se tornam clientes. O problema é que, segundo o CEO, "o tráfego para nossa documentação diminuiu aproximadamente 40% desde o início de 2023, mesmo com a Tailwind mais popular do que nunca. Sem clientes, não podemos arcar com a manutenção do framework", afirmou Wathan.
Sobrevivendo à IA
O principal problema com o modelo de negócios da Tailwind é o mesmo que está abalando as estruturas de grandes multinacionais em todo o mundo: a IA gera código similar sem custo, o que reduz o tráfego do site e diminui a conversão de usuários em clientes pagantes, reduzindo assim a receita e comprometendo sua viabilidade.
Como explicou em uma mensagem de áudio publicada em seu perfil no X, Adam Wathan passou as férias revisando números e percebeu que, sem mudanças, não conseguiriam pagar os salários por seis meses. Por isso, optaram por demissões agora, para oferecer indenizações decentes aos funcionários que tiveram que ser dispensados. "Sinto-me um fracasso por ter que fazer isso. Não é bom, mas esses são os recursos que temos".
Ainda é um bom negócio
Apesar dos problemas financeiros, o CEO insiste em uma publicação no X que "ainda temos um bom negócio, mas não é mais excelente". A verdade é que o sucesso da plataforma de integração de módulos CSS que a Tailwind promove é um sucesso entre os usuários, mas o que está falhando é sua estratégia de monetização.
É inevitável, e com algumas diferenças, traçar paralelos entre a Tailwind e o Spotify, que passou mais de uma década lidando com prejuízos e, finalmente, encontrou a fórmula para se tornar lucrativo. A plataforma de streaming tinha uma enorme base de clientes, mas o problema era que não conseguia monetizá-los até que atingisse o sucesso estrondoso e, paradoxalmente, foi o vídeo que gerou a receita.
O que a IA tira, a IA devolve
A sinceridade e a transparência de Wathan nas redes sociais ao destacar os problemas que sua empresa enfrentava devido ao impacto da IA chamaram a atenção do Google, que anunciou que patrocinará o projeto de Wathan.
É impressionante que o Google, um dos principais desenvolvedores de modelos de IA que estão sufocando empresas com modelos semelhantes ao da Tailwind e mudando os modelos de negócios de setores inteiros, esteja dando uma tábua de salvação à pequena startup de Wathan.
Pelo menos isso lhe dará algum tempo até que encontre seu "momento Spotify" diante do impacto da IA. "Continuo otimista", afirmou o CEO.
Imagem de capa | Unsplash (AltumCode)
Ver 0 Comentários