Há alguns anos atrás, assistir a filmes e séries que ainda nem haviam sido lançados oficialmente ou que só existiam em plataformas pagas era muito simples: bastava acessar o MegaFilmes HD. Ele foi, durante anos, o maior site pirata de filmes e séries do Brasil. Entre 2011 e 2015, a plataforma acumulou cerca de 60 milhões de acessos mensais e um catálogo de mais de 150 mil títulos, gerando uma receita estimada em R$70 mil por mês com publicidade. O projeto chegou ao fim em novembro de 2015, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Barba Negra, que resultou na prisão temporária dos responsáveis, no bloqueio de bens e na retirada definitiva do site do ar.
MegaFilmes HD cresceu em uma época em que o streaming ainda não era tão popular
Criado pelo casal Marcos Magno Cardoso e Thalita Cardoso em 2011, o MegaFilmes HD surgiu em uma época que serviços de streaming, como a Netflix, eram caros, escassos ou nem existiam no Brasil. Ele foi totalmente inspirado em plataformas de compartilhamento digital no Japão e acabou se popularizando rapidamente ao oferecer filmes, séries, documentários e até conteúdos antes da estreia oficial: tudo isso sem pagamento de direitos autorais.
Por ser uma plataforma que oferecia conteúdos gratuitamente, a audiência era gigante, sendo que aproximadamente 85% dos acessos vinham do Brasil, mas o portal também atraía usuários de países como Portugal e Japão. Em redes sociais, o MegaFilmes HD somava milhões de seguidores, uma referência da pirataria audiovisual na América Latina.
Operação Barba Negra: prisões, bloqueios e o fim do site
A queda do portal aconteceu em novembro de 2015, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão temporária, condução coercitiva e busca e apreensão em cidades de São Paulo e Minas Gerais. Segundo as investigações, o grupo operava uma organização criminosa estruturada, sendo a principal fonte de renda a publicidade exibida no site.
As contas bancárias dos investigados foram bloqueadas e eles passaram a responder por crimes de organização criminosa e violação de direitos autorais, com penas que poderiam chegar a mais de 10 anos de prisão, além de multas. O portal foi retirado do ar poucos dias depois da operação, encerrando definitivamente as atividades.
Após a prisão, o casal passou a responder ao processo em liberdade, mas longe da vida digital que sustentava o MegaFilmes HD. Anos depois, Marcos e Thalita reapareceram na mídia vivendo uma rotina completamente diferente: ele trabalhando com a venda de salgados e evitando qualquer contato com computadores, enquanto ela conciliava o negócio da família com o trabalho noturno em um bar da cidade.
Apesar de terem sido citados em investigações posteriores sobre sites que usavam o nome “Mega Filmes”, a polícia afirmou não ter encontrado provas de envolvimento do casal em novos esquemas.
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