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O erro de engenharia cometido há mais de 80 anos que fez uma ponte inteira desmoronar na água e mudou o futuro da física nas grandes obras até hoje

O acidente revelou um erro de projeto que levou a engenharia a mudar a forma de construir pontes suspensas em todo o mundo

Ponte Tacoma Narrows
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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As pontes são alguns dos maiores marcos da engenharia e revolucionaram a forma como as pessoas se locomovem pelo mundo. Existem estruturas famosas espalhadas por diversos países, como a Brooklyn Bridge, nos Estados Unidos, e a Ponte Rio-Niterói, no Brasil. Mas o que acontece quando uma obra dessa magnitude dá errado? Elas acabam sendo lembradas como um fracasso da engenharia.

Foi o caso da primeira Ponte Tacoma Narrows, no estado de Washington. Inaugurada em julho de 1940, a estrutura resistiu apenas quatro meses antes de desabar completamente durante uma tempestade de vento, no dia 7 de novembro daquele mesmo ano. O acidente, registrado em vídeo e estudado até hoje, revelou falhas de projeto que mudaram a forma como grandes pontes são construídas e mostrou que até uma força aparentemente inofensiva, como o vento, pode derrubar uma estrutura gigante.

Uma ponte inteira caiu por causa do vento? O desastre que revolucionou a engenharia há mais de 80 anos

Quando foi inaugurada, a Tacoma Narrows estava entre as maiores pontes suspensas do mundo. O projeto buscava uma estrutura mais leve e econômica, utilizando vigas metálicas sólidas nas laterais do tabuleiro em vez das treliças abertas presentes em outras pontes da época. O problema é que essa escolha teve um efeito inesperado.

Desde os primeiros dias de operação, a estrutura da ponte já chamava atenção por balançar sempre que ventava.  Engenheiros chegaram a estudar maneiras de reduzir essas oscilações, mas nenhuma solução foi suficiente. Poucos meses depois da inauguração, ventos de aproximadamente 68 km/h fizeram a ponte entrar novamente em movimento. Desta vez, porém, as vibrações aumentaram até que toda a estrutura desmoronou.

Apesar do estrago, nenhuma pessoa morreu no acidente. A única vítima foi um cachorro chamado Tubby, que permaneceu preso dentro de um automóvel abandonado sobre a ponte enquanto seu dono tentava escapar. O desabamento foi filmado e as imagens foram preservadas pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como um registro histórico e científico.

O que a física descobriu depois do desabamento?

O acidente envolvendo a queda da Ponte Tacoma Narrows foi um dos episódios mais marcantes da história da engenharia. Na época, todos queriam entender o que teria provocado o acidente, e durante muito tempo, acreditou-se que a queda havia sido causada apenas pelo fenômeno da ressonância, quando uma força externa passa a oscilar na mesma frequência natural de um objeto, aumentando progressivamente sua vibração. É como empurrar um balanço exatamente no momento certo: cada impulso faz o movimento crescer um pouco mais.

No entanto, com o avanço dos estudos, os pesquisadores perceberam que a explicação era mais complexa. Além da ressonância, entrou em cena um fenômeno conhecido como flutter aeroelástico, resultado da interação contínua entre o vento e a própria estrutura da ponte. Como suas laterais eram fechadas, o ar não conseguia atravessar o tabuleiro. Em vez disso, era desviado ao redor da estrutura, alimentando oscilações cada vez maiores.

Ao mesmo tempo, os cabos de sustentação passaram a sofrer variações constantes de tensão. Enquanto alguns eram fortemente tracionados, outros afrouxavam momentaneamente, fazendo com que diferentes partes da ponte respondessem de maneira desigual às forças do vento e da gravidade. As oscilações chegaram a produzir desníveis de aproximadamente 8,5 metros antes da queda.

Uma comparação simples ajuda a entender o problema: imagine tentar segurar uma régua pela ponta enquanto alguém sopra repetidamente contra ela. Se o ritmo do vento coincide com o movimento natural da régua, cada rajada aumenta a flexão até que ela pode quebrar. Na Tacoma Narrows, o mesmo princípio ocorreu, mas em uma escala gigantesca.

 A reconstrução da ponte, inaugurada em 1950, incorporou treliças abertas e outras soluções aerodinâmicas para permitir a passagem do vento pela estrutura. Desde então, testes em túneis de vento e estudos aeroelásticos passaram a fazer parte do desenvolvimento das grandes pontes suspensas construídas ao redor do mundo, reduzindo significativamente o risco de que um acidente semelhante volte a acontecer.

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