2026 foi um ano em que já tivemos um aumento dos preços do PlayStation 5 e a decepção com o preço da Steam Machine, além do encarecimento de vários produtos da Apple. A situação é clara: o que estamos vendo é uma pressão de custos que já não fica restrita aos data centers nem às contas internas dos fabricantes. Ela está chegando a dispositivos que conhecemos bem, de computadores a consoles. E agora chegou a vez do Xbox.
A Microsoft anunciou nesta quinta-feira, 25/6, o reajuste dos preços de seus consoles Xbox, que entrará em vigor em 1º de agosto de 2026 e terá alcance global. Segundo a empresa, os consoles Xbox de 512 GB subirão US$ 100, enquanto os modelos de 1 TB ficarão US$ 150 mais caros. Outra decisão relevante é que a Microsoft deixará de vender seu modelo de 2 TB, uma retirada que afeta o Xbox Series X Galaxy Black Special Edition.
Essas mudanças são para os EUA: em outros mercados, como a Europa, a tabela atualizada ainda não foi divulgada. Vale lembrar que a Microsoft não vende os console Xbox Series oficialmente no Brasil desde fevereiro de 2025 — o que se encontra por aqui é o estoque que sobrou ou então importações feitas pelos varejistas. Mas já se sabe que as mudanças serão globais, afetando todos os países.
Mudanças de preço nos EUA a partir de 1º de agosto de 2026:
- Xbox Series S (512 GB): 399,99 → 499,99 dólares
- Xbox Series S (1 TB): 449,99 → 599,99 dólares
- Xbox Series X Digital (1 TB): 599,99 → 749,99 dólares
- Xbox Series X (1 TB): 649,99 → 799,99 dólares
- Xbox Series X (2 TB) Galaxy Black Special Edition: a Microsoft deixará de vender este modelo
Preços vigentes no Brasil (revisão de 2023, antes de a Microsoft interromper a venda por aqui):
- Xbox Series S (512 GB): R$ 3.599,00
- Xbox Series X (1 TB) com leitor: R$ 4.499,00
A Microsoft não apresenta o aumento como uma decisão tomada de forma leviana. Em seu comunicado, a empresa lembra que em outubro de 2025 já havia elevado o preço dos Xbox nos EUA entre 20 e 70 dólares e afirma que “esperávamos que não fosse necessário” aplicar outro aumento. O problema, segundo sua versão, está nos custos de memória e armazenamento, que ficaram mais caros em mais de 2,5 vezes e podem voltar a dobrar até o outono de 2027.
A empresa enquadra o movimento dentro de uma crise de componentes que afeta a eletrônica de consumo, mas que atinge com mais força os consoles porque, segundo a Microsoft, eles costumam ser vendidos por menos do que custam para fabricar.
A memória se tornou o novo gargalo
A Microsoft não menciona diretamente a inteligência artificial em seu comunicado, mas o contexto do mercado ajuda a explicar por que memória e armazenamento se tornaram um problema maior. O The Wall Street Journal descreveu a expansão massiva de data centers como um novo motor de pressão inflacionária, com impacto em componentes, eletricidade e produtos de consumo. A TrendForce também apontou que a demanda ligada à IA está absorvendo a capacidade de memória e armazenamento.
Agora, a empresa de Redmond tenta acompanhar o aumento com algumas formas de suavizar o impacto para o comprador. Ela fala em opções de parcelamento na Microsoft Store, financiamento sem juros por até 12 meses em compras elegíveis via Amazon, programas de troca com parceiros varejistas e maior disponibilidade de consoles recondicionados certificados.
Também menciona que os Xbox recondicionados podem ser encontrados na Microsoft Store com até 100 dólares de desconto em relação ao preço sugerido. O detalhe importante é que essas opções variam conforme a região, dependem de terceiros e estão sujeitas a condições de elegibilidade.
O ponto central é que a antiga lógica do console barato, vendido com pouca margem para recuperar depois em jogos e serviços, está entrando em choque com uma realidade diferente. Se memória, armazenamento e outros componentes ficam mais caros devido a uma demanda que não depende apenas dos videogames, o fabricante tem menos espaço para absorver o impacto. No fim das contas, são os consumidores que acabam pagando o preço. Resta esperar para ver que outros movimentos desse tipo vão surgir na indústria.
Imagens | Microsoft
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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