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Usina nuclear da França é invadida por águas-vivas

E um dos motivos é, mais uma vez, a mudança climática

Águas-vivas
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Os reatores 2, 3 e 4 da usina nuclear de Gravelines, no norte da França (e a apenas 20 quilômetros de Dunkerque), tiveram de ser desligados preventivamente na última terça-feira. O motivo? Segundo a agência Reuters, um enxame de águas-vivas obstruiu os filtros da estação de bombeamento de água do mar, responsável por resfriar as unidades e garantir o funcionamento daquela que é a maior central do país.

Como o reator 5 já estava desligado para manutenção, Gravelines funcionou apenas com o reator 6 em plena capacidade e o reator 1 a 50% de sua capacidade durante o começo desta semana. Agora, a Électricité de France (EDF), a estatal de eletricidade que administra essa central, anunciou a reconexão do reator 2.

Essa rápida atuação foi possível, em parte, porque Gravelines sofreu outra invasão semelhante no ano passado que a levou a interromper totalmente suas atividades durante 10 dias. Por causa desse incidente, foram instaladas câmeras fixas nos canais de entrada e nos filtros da estação de água para detectar qualquer obstrução o mais rápido possível.

Mais uma vez, a mudança climática

Com essas medidas, Gravelines conseguiu voltar a funcionar a tempo de manter alguns dos reatores em operação. Esta época do ano, verão europeu, é especialmente crítica para a produção de energia, não só pelo alto consumo, mas também por outras complicações relacionadas ao clima, como a baixa vazão do rio Danúbio, que afetou as usinas da Romênia e da Hungria.

No caso da França, além disso, o parque nuclear já atingiu seu recorde de interrupções devido às secas e às ondas de calor. Antes mesmo dessa última paralisação parcial, a Agence France-Presse (AFP), com base em dados da EDF de 2025, havia calculado um déficit de 15,6% na produção de energia nuclear, conforme reportado pelo jornal Le Monde.

Além disso, a presença de águas-vivas, embora seja habitual, é cada vez mais frequente no litoral norte da França devido às mudanças climáticas: segundo o Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico, a diminuição das chuvas no inverno e o aumento da radiação solar estão diretamente relacionados ao fato de as águas-vivas se aproximarem cada vez mais e com maior frequência das costas.

Como explica a EDF, a paralisação parcial dessa central nuclear "não tem consequências para a segurança das instalações", nem para as pessoas ou o meio ambiente. Trata-se de um protocolo de ação preventiva diante da chegada em massa desses animais marinhos vindos do Mar do Norte.

No entanto, todos os anos, quase 6 bilhões de animais marinhos morrem em fatalidades relacionadas às centrais nucleares, segundo o Le Monde. Muitos deles são sugados ao passar por esses sistemas de refrigeração. Alguns, os menores, conseguem atravessar o filtro e acessar o sistema de refrigeração, onde podem sofrer diferentes tipos de choques térmicos ou químicos. Outros, maiores, ficam presos no tambor, onde também podem morrer asfixiados.

O jornal francês ressalta que esses dados não fazem parte da campanha de nenhum grupo ativista antinuclear: foi a própria EDF que os compartilhou em seus documentos internos. A empresa francesa se defende alegando que essas mortes colaterais representam apenas uma pequena proporção da biomassa da região. No entanto, a federação antinuclear Réseau Sortir du nucléaire exige maior fiscalização e transparência para esse tipo de situação, além da implementação de medidas de proteção para a vida marinha.

Imagem | Lukáš Lehotský (Unsplash) e Ganapathy Kumar (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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