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Costumava-se pensar que o Peru detinha o recorde das múmias mais antigas, datadas de 7 mil anos atrás; uma descoberta na Ásia praticamente dobra esse número

A descoberta de 54 sepultamentos no Sudeste Asiático sugere que a mumificação era praticada muito antes do que se pensava anteriormente

Costumava-se pensar que o Peru detinha o recorde das múmias mais antigas, datadas de 7.000 anos atrás. Uma descoberta na Ásia praticamente dobra esse número.
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Fabrício Mainenti

Redator

Brendan Fraser enfrentando Imhotep, Lara Croft desviando de armadilhas antigas, Indiana Jones fugindo de uma enorme pedra esférica... Quando pensamos em múmias e tumbas antigas, nossa mente vai direto para o Egito. E com razão: o país serviu de cenário para grandes filmes e videogames.

Mas e se disséssemos que a mumificação já era praticada em outro continente muito antes de as pirâmides serem construídas? Fique por aqui e eu conto tudo sobre isso.

Como noticiado pelo Xataka, um estudo publicado na PNAS há alguns meses aponta que as evidências mais antigas dessa prática — que é tão intrigante quanto fértil para histórias de terror — remontam a um local a milhares de quilômetros de distância e a uma época vários milênios anterior ao que se pensava.

Restos mortais encontrados no sul da China e em várias partes do Sudeste Asiático sugerem que comunidades de caçadores-coletores preservavam seus mortos utilizando fumaça há cerca de 12 mil anos.

O recorde da mumificação deliberada mais antiga

Vale ressaltar que, antes deste estudo, o recorde de mumificação deliberada mais antiga pertencia aos Chinchorro — uma cultura do litoral do sul do Peru e do norte do Chile que mumificava seus mortos há cerca de 7 mil anos. Ou seja, muito antes de os egípcios desenvolverem suas técnicas de mumificação artificial durante o Império Antigo e conquistarem a fama eterna.

No entanto, um grupo de pesquisadores afirma agora ter encontrado evidências que situam essa prática em um período muito anterior e em um continente diferente.

Imagem | PNAS

Eles fizeram essa descoberta após analisar 54 sepultamentos em 11 locais na China, Vietnã, Filipinas, Laos, Tailândia, Malásia e Indonésia, datados de um período entre 4 mil e 12 mil anos atrás. Muitos esqueletos foram encontrados enterrados em posições fortemente flexionadas — quase de cócoras — e apresentavam marcas de calor nos ossos.

Inicialmente, os pesquisadores cogitaram a hipótese de cremação, mas não encontraram vestígios de lareiras ou fogueiras diretamente associadas às tumbas analisadas. Utilizando técnicas como a difração de raios X, detectaram sinais compatíveis com a exposição prolongada à fumaça e ao calor em ambiente com pouco oxigênio, em vez do contato direto com o fogo. Naturalmente, são necessários mais testes para chegar a conclusões definitivas.

Acredita-se que os corpos eram amarrados dessa maneira para que desidratassem lentamente antes do sepultamento. A posição flexionada e a exposição ao calor e à fumaça teriam contribuído para a desidratação dos corpos — embora apenas os esqueletos tenham sobrevivido até os dias de hoje, provavelmente devido às condições ambientais do Sudeste Asiático.

Mas por que faziam isso?

O coautor do estudo, Peter Bellwood, sugere que a prática pode ter estado ligada à mobilidade de certos grupos de caçadores-coletores e à necessidade de manter laços físicos e espirituais com seus mortos. No entanto, os pesquisadores também apontam a possibilidade de que um componente espiritual significativo estivesse por trás da prática.

O aspecto mais notável é que essa prática não desapareceu completamente desta parte do mundo: algumas comunidades na Nova Guiné ainda empregam técnicas semelhantes.

Em 2019, pesquisadores visitaram o povo Dani, na Papua (Indonésia), onde observaram o processo de amarrar e defumar corpos até que ficassem ressecados e enegrecidos — utilizando técnicas que guardam uma semelhança impressionante com aquelas evidenciadas pelos vestígios arqueológicos.

Imagem | PNAS

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