Como qualquer estrela, nosso Sol se mantém aceso por meio do processo contínuo de fusão nuclear. Atualmente, o astro está fundindo átomos de hidrogênio e transformando-os em hélio. Essa fusão gera uma pressão para fora que compensa a pressão para dentro exercida pela gravidade.
No entanto, chegará um momento em que o hidrogênio que atua como combustível se esgotará. Quando isso acontecer, a pressão interna cairá e não poderá compensar a externa, fazendo com que o núcleo se contraia e aqueça. Essa contração aquecerá as camadas externas imediatamente superiores, ativando a fusão de hidrogênio por ali. A energia liberada pelas camadas externas fará com que a estrela se expanda. Será assim que o Sol se transformará em uma gigante vermelha.
A vida na Terra, seja ela qual for quando isso acontecer, não poderá resistir a esse processo. A boa notícia é que a pior parte começará daqui a 1 bilhão de anos, portanto ainda falta muito para isso acontecer. No entanto, há cientistas muito meticulosos que já estão pensando em estratégias para prolongar um pouco a sobrevivência do nosso planeta e da vida que houver nele.
O fim da vida na Terra
Calcula-se que, daqui a algumas centenas de milhões de anos, a água dos oceanos terrestres poderá se esgotar, transformando a Terra em um planeta hostil demais para abrigar vida. Como se isso não fosse suficiente, daqui a cerca de 5 bilhões de anos, a expansão para uma gigante vermelha acabaria com os planetas internos do Sistema Solar. Adeus, Mercúrio e Vênus. Possivelmente também à Terra, que já poderá ter entrado em colapso muito antes disso.
Para que a vida possa resistir em nosso planeta, haverá três opções: prolongar a disponibilidade de combustível no Sol, criar uma sombra enorme que funcione como escudo para a Terra ou mover nosso planeta para a nova zona de habitabilidade. Tudo parece coisa de ficção científica, mas um pesquisador independente chamado Gabriel Harry acaba de publicar um artigo no qual cita algumas soluções que, com a ciência a seu favor e tecnologias que ainda não existem, podem se tornar realizáveis.
Desacelerar o Sol
A primeira proposta de Harry é desacelerar a fusão nuclear para que o Sol tenha combustível disponível por mais tempo. Para isso, ele propõe reduzir a massa de sua superfície, já que, quanto menor a massa, mais lentamente a fusão nuclear ocorre. Mas como arrancar um pedaço do Sol?
O cientista acredita que isso seria viável usando um enxame de Dyson. Trata-se de uma frota de muitos pequenos painéis solares ou espelhos que capturam a energia do Sol, a concentram e a depositam onde for necessário. Nesse caso, ela seria depositada em uma região específica da própria superfície do Sol. Isso faria as partículas da fotosfera receberem energia, adquirindo energia cinética suficiente para superar a velocidade de escape da estrela. Ou seja, seriam lançadas para fora do Sol. Isso exigiria 400 milhões de anos, mas permitiria que permanecêssemos na zona de habitabilidade por mais 7,5 bilhões de anos. Valeria a pena.
Tudo acontecerá quando o Sol se transformar em gigante vermelha
Sombrinhas gigantes
Se não é possível desacelerar o Sol, proteja-se dele. Essa é a segunda tática proposta por Harry. Ela consistiria em colocar espécies de sombrinhas gigantes em pontos estratégicos de Lagrange. Esses são locais muito específicos nos quais a gravidade de dois objetos, neste caso a Terra e o Sol, se equilibra. Eles são muito úteis para “estacionar” naves ou satélites, já que esses corpos não são atraídos por nenhum objeto de grande porte e podem permanecer estáveis com um gasto mínimo de combustível. O telescópio James Webb, por exemplo, está no ponto de Lagrange 2 (L2). Nesse caso, a sombrinha seria colocada em L1.
Para que a pressão da radiação solar não acabasse com essas sombrinhas ao longo do tempo, seria necessário utilizar ancoragens que exigiriam um grande consumo de energia. Poderíamos ver isso como uma desvantagem, mas estamos falando da ciência de civilizações de um futuro distante. Harry está certo de que elas poderiam extrair grandes quantidades de energia por meio de reatores de fusão instalados em Júpiter ou Saturno.
Mover a Terra
A última tática, e talvez a mais louca, seria simplesmente mover a Terra. A zona de habitabilidade se afasta à medida que o Sol se expande? A Terra se afasta com ela. Para isso, Harry propõe desviar grandes objetos, como asteroides do cinturão de Kuiper, de modo que passem periodicamente perto da Terra e, com sua gravidade, a empurrem cada vez um pouco mais para longe.
O problema é que as forças de maré seriam enormes, portanto haveria fenômenos desastrosos na Terra, como inundações muito intensas. Por isso, uma alternativa poderia ser simplesmente disparar um feixe constante de partículas para o espaço. Isso desviaria a Terra de maneira semelhante àquela como nós somos desviados quando disparamos uma arma. O único inconveniente é que seriam necessários 100 milhões de anos, então seria preciso começar com um pouco de antecedência.
O estudo publicado por Harry é muito curioso e também interessante do ponto de vista científico. No entanto, é muito provável que nunca seja necessário. E não porque a Terra não vá sucumbir à expansão do Sol. Isso vai acontecer.
O que acontece é que, possivelmente, nós mesmos teremos acabado com a habitabilidade do planeta muito antes. As mudanças climáticas já estão nos dando pistas. Por isso, deveríamos nos concentrar mais em evitar aquilo que está ao nosso alcance.
Imagem | Imagem ilustrativa de Magnific | KKolaczynski
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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