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Em 2024, um robô desapareceu para sempre sob a Antártida. Mas os dados que ele coletou serviram para sabermos mais sobre a “geleira do juízo final”

A geleira Thwaites é uma das mais importantes para o oceano

A geleira Thwaites
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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No início de 2024, a Universidade de Gotemburgo anunciou uma má notícia: acabara de perder um submarino não tripulado pelo qual havia pago 3,4 milhões de euros. O submarino Ran não desapareceu em vão: seus dados nos abriram as portas para compreender melhor o que se esconde atrás da "geleira do juízo final".

A equipe que operava o Ran quando ele se perdeu sob o gelo antártico em janeiro de 2024 publicou, seis meses depois, os resultados de sua pesquisa. O estudo revelou aspectos importantes do lado oculto da geleira Thwaites, aquele que se encontra sob a água.

“Geleira do juízo final”

A geleira Thwaites é uma das mais importantes do mundo, tudo por causa de seu volume. Segundo as estimativas da Colaboração Internacional da Geleira Thwaites, os 483.000 km³ de água que essa massa de gelo abriga seriam suficientes, caso ela desaparecesse, para elevar o nível do mar em mais de meio metro. Daí seu nome apocalíptico.

Thwaites não é uma geleira convencional por outro motivo: sua localização. Ela não se encontra sobre terra firme, como muitas outras geleiras. Seu gelo também se estende sobre a superfície do oceano, criando uma língua de gelo ou plataforma de gelo. Sob essa plataforma, a água do oceano se mistura com a água da própria geleira, gerando dinâmicas de especial interesse para quem estuda essa massa.

Antes de desaparecer sob o gelo antártico, Ran ficou operando durante quase um mês sob a plataforma de gelo Dotson, ligada a essa geleira. Percorreu mais de 1.000 quilômetros, avançando até 17 km na cavidade sob essa plataforma. Agora, finalmente contamos com os dados compilados por Ran antes de seu desaparecimento prematuro.

Resultados

Como explicou a equipe, alguns desses resultados são os que seriam esperados. Por exemplo, observa-se que as correntes submarinas mais fortes geravam erosão sobre a camada de gelo e, com isso, um derretimento maior. Assim, puderam esclarecer o motivo pelo qual o lado oeste da plataforma Dobson derrete mais rapidamente.

A equipe também destacou que algumas das observações levantam novas questões. Por exemplo, a existência de irregularidades na superfície oculta do gelo, semelhantes às dunas de um deserto, possivelmente causadas pelo fluxo da água.

Os detalhes do trabalho foram publicados recentemente em um artigo na revista Science Advances. A pesquisa é apenas uma entre tantas que já estudaram esse colosso congelado. No entanto, a equipe conseguiu avançar por lugares onde antes parecia impossível. 

“Anteriormente, havíamos utilizado dados de satélites e amostras de gelo para observar como as geleiras mudam ao longo do tempo. Ao navegar com o submarino dentro da cavidade, fomos capazes de obter mapas de alta resolução da parte inferior do gelo. É um pouco como ver o lado escuro da Lua”,  afirma Anna Wåhlin, que lidera o estudo recém-publicado, em um comunicado à imprensa.

Imagem | Filip Stedt / Anna Wåhlin

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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