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Elon Musk quer resolver o problema energético da IA ​​no espaço; o preço a pagar é perder a capacidade de ver as estrelas

Um novo estudo estima em que medida futuras megaconstelações poderiam interferir em alguns dos observatórios mais importantes do mundo

Elon Musk quer resolver o problema energético da IA ​​no espaço. O preço a pagar é perder a capacidade de ver as estrelas.
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Fabrício Mainenti

Redator

Elon Musk quer levar uma parte do futuro da inteligência artificial para o espaço. Conforme relatado pela Fast Company, a SpaceX está trabalhando em uma nova geração de satélites capazes de funcionar como centros de dados orbitais movidos a energia solar.

O objetivo final é uma rede gigantesca de até um milhão de unidades, mas há um problema: alguns astrônomos alertam que esse futuro poderia lotar o céu a ponto de tornar a observação do universo a partir da Terra significativamente mais difícil.

Esse alerta vem de um estudo liderado por Olivier Hainaut, pesquisador do Observatório Europeu do Sul. Suas simulações analisam o que aconteceria se as constelações de satélites planejadas por várias empresas fossem implantadas em larga escala. As propostas atuais, se combinadas, ultrapassariam 1,7 milhão de satélites; o estudo conclui que tal volume prejudicaria gravemente muitas observações astronômicas feitas a partir do solo.

Os astrônomos estabelecem o limite em cerca de 100 mil satélites

A questão reside na luz refletida por esses objetos. Quando um satélite cruza o campo de visão de um telescópio, ele pode deixar um rastro na imagem, saturar sensores específicos ou aumentar ligeiramente o brilho do céu.

Com dezenas de milhares de unidades, o impacto permanece administrável — desde que os satélites não sejam muito brilhantes —, mas a situação sairia de controle, causando perturbações significativas, se os números chegassem a centenas de milhares ou até mesmo a um milhão.

Segundo as simulações, mesmo uma constelação de satélites relativamente pouco brilhantes deveria ser limitada a cerca de 100 mil unidades para evitar que as perdas de observação superassem o tempo que os telescópios já perdem com problemas técnicos rotineiros.

Em uma constelação que se aproximasse de um milhão de satélites, rastros apareceriam constantemente, e instrumentos projetados para captar imagens de vastas áreas do céu começariam a sofrer prejuízos.

O risco é ainda maior com satélites brilhantes. O estudo aponta que apenas 5.000 objetos altamente reflexivos poderiam aumentar o brilho do céu causado pela luz espalhada entre 20% e 30%. Com um contingente de 50.000, esse aumento poderia chegar a uma faixa entre 200% e 300%, e telescópios como o do Observatório Vera C. Rubin seriam particularmente afetados por esse tipo de poluição.

A SpaceX ainda está longe de colocar um milhão de centros de dados em órbita — por enquanto, a empresa fala em começar a fabricar e lançar milhares desses satélites a partir do final de 2027 —, mas o debate já está posto. A própria infraestrutura que Musk idealiza para multiplicar a capacidade de IA poderia nos forçar a decidir quanto do céu estamos dispostos a ocupar antes de começarmos a perdê-lo para a astronomia.

Imagem de capa | SpaceX (Unsplash)

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