Visitar Florença, na Itália, costuma ser uma experiência cercada por obras de arte, arquitetura renascentista e alguns dos nomes mais importantes da história da arte. Para alguns turistas, porém, a quantidade de beleza concentrada na cidade parece provocar algo além de admiração: o coração acelera, as pernas ficam fracas e até a percepção da realidade pode mudar. Há relatos de pessoas que choraram, desmaiaram e tiveram crises de pânico enquanto observavam obras de Michelangelo e Botticelli. Um desses episódios aconteceu diante de O Nascimento de Vênus, na Galeria Uffizi, e chegou a ser confundido com uma reação causada pela própria pintura. Por trás desses casos existe uma curiosa condição que recebeu o nome de um escritor francês e, até hoje, divide opiniões entre especialistas.
A beleza extrema de grandes obras pode provocar reações físicas em alguns visitantes
Quem visita Florença encontra uma quantidade impressionante de obras de arte, museus e construções históricas espalhadas pela cidade. Por isso, a maioria dos visitantes ficam deslumbrados com a beleza que encontram. O problema é que, para algumas pessoas, esse excesso de estímulos pode vir acompanhado de uma reação física ou emocional bastante intensa, conhecido como Sindrome de Stendhal.
Esse tipo de episódio chamou a atenção de Graziella Magherini, psiquiatra do Hospital Santa Maria Nuova, em Florença. Em 1989, ela descreveu a síndrome depois de observar 106 turistas que apresentaram diferentes sintomas enquanto visitavam obras de arte da cidade. Entre as manifestações relatadas estavam:
- palpitações e aceleração dos batimentos cardíacos;
- tontura e vertigem;
- desmaios;
- alucinações;
- confusão mental;
- sensação de estar desconectado do próprio corpo;
- ataques de pânico.
Segundo o psiquiatra, esses episódios poderiam representar ataques de pânico provocados pelo impacto psicológico das obras de arte combinado à experiência da viagem. Um dos exemplos envolve O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, exposto na Galeria Uffizi. O diretor da galeria, Eike Schmidt, relatou que já houve visitantes que tiveram crises diante da pintura, incluindo um caso de ataque epilético e outro de ataque cardíaco. No entanto, é importante ter cuidado ao chamar qualquer mal-estar de Síndrome de Stendhal.
Nem todo turista que passa mal tem a síndrome
A Síndrome de Stendhal é definida por episódios em que o contato intenso com obras de arte estaria associado a sintomas como palpitações, tontura, desmaios, confusão mental e alucinações. O problema é que sentir-se mal dentro de um museu não significa necessariamente ter a Síndrome de Stendhal. Os mesmos sintomas podem aparecer por motivos muito mais comuns, como cansaço, desidratação, ansiedade ou problemas de saúde.
Um caso ocorrido em dezembro de 2018 ajuda a entender essa diferença. Carlo Olmastroni, então com 68 anos, desmaiou dentro da Galeria Uffizi enquanto observava O Nascimento de Vênus, de Botticelli. O episódio rapidamente foi associado à Síndrome de Stendhal, mas havia uma explicação médica muito mais concreta: o homem tinha duas artérias coronárias obstruídas. Ou seja, nem sempre episódios como esse são causados pela Síndrome de Stendhal.
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