Uma mensagem de texto em vez de uma ligação, mais abertura para falar sobre saúde mental ou a necessidade de receber instruções detalhadas. Situações simples podem gerar mal-entendidos entre trabalhadores de diferentes gerações.
A Geração Z entrou no mercado de trabalho em um contexto diferente das gerações anteriores. Muitos jovens começaram a estudar, estagiar ou trabalhar durante a pandemia, quando boa parte da comunicação passou para o ambiente digital. Agora, a inteligência artificial acrescenta uma nova camada a essa transformação.
A mesma mensagem pode ter significados diferentes
Uma funcionária da Geração Z que trabalhava em um café percebeu que chegaria atrasada e avisou o chefe por mensagem.
Para ela, era uma forma de respeitar o tempo dele, já que uma ligação poderia interrompê-lo. O gerente, porém, esperava uma ligação porque considerava o atraso uma situação séria.
O problema não estava necessariamente na mensagem, mas no significado atribuído a ela por cada geração.
Por isso, gestores não devem presumir que determinadas regras de comunicação são óbvias para todos. Se um atraso exige uma ligação, por exemplo, essa expectativa precisa ser explicitada.
Saúde mental também mudou a comunicação
As diferenças aparecem ainda na maneira de falar sobre questões pessoais. Um jovem trabalhador contou ao gerente, um Baby Boomer, que enfrentava ansiedade severa. O chefe foi compreensivo, mas ficou desconfortável com a quantidade de informações pessoais compartilhadas.
Profissionais mais velhos podem ter aprendido a separar de maneira mais rígida vida pessoal e trabalho, enquanto a Geração Z cresceu em uma época de maior abertura sobre saúde mental e bem-estar.
Isso não significa que uma geração esteja certa ou errada, mas que os limites considerados apropriados podem ser diferentes.
Pandemia afetou o aprendizado da comunicação presencial
Quem tinha 18 ou 19 anos em 2020 passou justamente por um período importante de formação profissional durante a pandemia. Aulas, estágios e primeiros empregos migraram para o ambiente remoto.
Com isso, muitos jovens tiveram menos oportunidades de aprender presencialmente a interpretar expressões faciais, mudanças no tom de voz e outros sinais sutis do ambiente profissional.
Quando um feedback é importante, portanto, uma conversa clara pode ser mais eficiente do que esperar que o funcionário interprete uma expressão ou uma mudança de comportamento.
“Até sexta-feira” pode não significar a mesma coisa
Os prazos também podem provocar conflitos entre gerações: se um gerente diz “preciso disso até sexta-feira”, um funcionário pode entender que qualquer horário daquele dia serve.
O gestor, por outro lado, pode esperar receber o material pela manhã para revisá-lo.
Uma pesquisa com 250 profissionais da Geração Z citada pelo autor identificou a busca por expectativas claras como um dos temas recorrentes entre os participantes.
Dizer “até sexta-feira” é diferente de especificar “até sexta-feira às 10h, porque preciso de três horas para revisar”. Quanto mais clara a expectativa, menor a chance de interpretações diferentes.
Tecnologia mudou, mas a necessidade de clareza continua
A inteligência artificial tornou possível escrever e-mails, resumir reuniões e produzir documentos rapidamente. Mas comunicação mais rápida não significa necessariamente comunicação mais clara.
A Geração Z aprendeu a se comunicar em um ambiente marcado por mensagens instantâneas, trabalho remoto, pandemia e, agora, inteligência artificial. As gerações anteriores tiveram experiências diferentes.
Por isso, muitas divergências no trabalho não acontecem porque uma geração “não sabe se comunicar”, mas porque as pessoas atribuem significados diferentes às mesmas formas de comunicação.
Imagens: Shutetrstock
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