Pensávamos que insônia era apenas a incapacidade de dormir: agora sabemos que existem cinco distúrbios diferentes

Maioria das pessoas sofre do tipo mais grave de insônia, de acordo com o ranking

Imagem | Solving Healthcare
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
pedro-mota

PH Mota

Redator
pedro-mota

PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1399 publicaciones de PH Mota

Para muitas pessoas, a insônia é um problema sério que enfrentam diariamente, dia e noite, e cujo tratamento geralmente se baseia em três pilares: higiene do sono, terapia cognitivo-comportamental ou medicamentos. No entanto, às vezes o que é útil para uma pessoa pode ser inútil para outra. Algo que agora sabemos se deve ao fato de que não existe apenas um tipo de insônia, mas cinco.

O estudo, de origem espanhola e publicado no Journal of Sleep Research, confirma o que muitos especialistas já suspeitavam: a insônia não é um distúrbio único. Como destaca Francesa Cañellas, do Hospital Universitário de Son Espases, a pesquisa comprovou a existência de cinco subtipos diferentes de insônia, uma descoberta que promete revolucionar a forma como tratamos os problemas de sono.

Sua evolução

A primeira hipótese sobre a variabilidade da insônia surgiu em 2019, quando pesquisadores holandeses já haviam observado que esse distúrbio apresentava cinco faces. O problema é que essas diferenças precisavam ser testadas de acordo com os traços de personalidade e o histórico de cada paciente.

Foi exatamente isso que a equipe espanhola fez. Financiado pela Sociedade Espanhola do Sono (SES), o estudo analisou dados de oito unidades de sono na Espanha utilizando o Questionário de Tipos de Insônia (ITQ). Utilizando as respostas dos pacientes a esses questionários e os dados obtidos do sono de cada paciente, constatou-se a existência desses cinco perfis. Embora o problema seja que o tipo mais grave seja o mais frequente.

Os diferentes tipos

O interessante deste estudo é que ele não classifica a insônia pelo número de horas dormidas, mas sim por traços de personalidade ou nível de sofrimento. Com base nisso, a classificação proposta é a seguinte:

  • Tipo 1: um grupo muito complexo, cuja peculiaridade reside no alto nível de angústia interna. Dessa forma, são pacientes com altos níveis de neuroticismo, tensão e depressão.
  • Tipo 2: pacientes que apresentam sofrimento moderado, mas que conseguem responder a estímulos positivos. Assim, são capazes de superar o problema graças à terapia cognitivo-comportamental, que é o tratamento padrão usual.
  • Tipo 3: neste caso, os pacientes não sentem muito sofrimento, mas apresentam grande insensibilidade ao prazer, conhecida como anedonia. Isso é um problema, pois, em pacientes com baixa autoestima, os tratamentos convencionais não são muito eficazes.
  • Tipos 4 e 5: essas são as formas mais leves, pois são decorrentes de problemas específicos na vida de cada paciente que aumentam seu nível de estresse, mas sem uma carga psicológica subjacente.

A má notícia

Embora a insônia tenha sido classificada em diferentes tipos, a realidade é que 82% dos pacientes pertencem aos subtipos 1 e 3. Esses são os que respondem pior aos tratamentos e que geram o maior dano psicológico às pessoas.

Logicamente, essas são as pessoas que mais frequentemente procuram consultórios médicos e clínicas de sono porque literalmente não aguentam mais, já que é difícil resolver o problema com um comprimido para dormir. De fato, o estudo destaca que esses dois grupos são os que mais consomem hipnóticos e ansiolíticos, muitas vezes com resultados insatisfatórios.

Medicina de precisão

A importância deste trabalho reside no fato de que não existe um tratamento padrão eficaz para a insônia. Dessa forma, se um paciente do tipo 2 receber terapia psicológica, o resultado será excelente, mas para um paciente do tipo 3 esse tratamento será praticamente inútil. Da mesma forma, o tipo 1 pode exigir uma abordagem psiquiátrica para tratar o sofrimento subjacente e, em seguida, tratar o problema de insônia.

Tudo isso busca deixar de tratar a doença isoladamente e compreender que ela está associada a uma pessoa com uma biografia e personalidade específicas que podem exigir cuidados diferenciados.

Imagens | Solving Healthcare

Inicio