Um problema pouco discutido preocupa médicos no Brasil: a falta de higiene íntima masculina. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indicam que, em média, nove amputações de pênis são realizadas por semana no país, principalmente em decorrência do câncer de pênis — uma doença frequentemente associada à higiene inadequada.
Embora seja considerado raro em outros países, o câncer de pênis apresenta números relevantes no Brasil. Entre 2014 e 2024, o país registrou média anual de 600 amputações. Especialistas afirmam que, na maioria dos casos, a doença poderia ser evitada com hábitos simples de higiene e atenção aos sinais do corpo.
Falta de higiene íntima está associada ao desenvolvimento do câncer de pênis
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a higiene inadequada é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer de pênis. Quando a limpeza não é feita corretamente, pode ocorrer o acúmulo de secreções sob o prepúcio, a pele que cobre a glande. Esse acúmulo favorece a proliferação de bactérias e pode provocar inflamações recorrentes.
Com o tempo, essas inflamações podem evoluir para lesões mais graves e, em alguns casos, para tumores malignos. Especialistas também destacam que a infecção pelo HPV, a presença de fimose, o tabagismo e o baixo acesso à informação médica também estão entre os fatores que aumentam o risco da doença.
Brasil registra casos com maior frequência em regiões com menor acesso à saúde
O câncer de pênis é mais comum em regiões com menor acesso à informação e serviços de saúde. Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, a maior incidência está concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Outro fator que preocupa os especialistas é o diagnóstico tardio. Muitos homens demoram a procurar atendimento médico por vergonha, desinformação ou por ignorarem os sintomas iniciais. Quando o diagnóstico acontece em estágio avançado, a amputação parcial ou total do pênis pode se tornar necessária para evitar que o câncer se espalhe.
Diagnóstico tardio aumenta o risco de amputação
Os primeiros sinais da doença podem ser sutis e, muitas vezes, podem passar despercebidos. Feridas que não cicatrizam, alterações na pele, secreções com odor forte ou pequenas lesões são alguns dos sintomas que merecem atenção.
Especialistas reforçam que qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um médico, já que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento e reduz o risco de amputação.
Higiene diária é principal forma de prevenção, dizem especialistas
A prevenção, segundo urologistas, é simples e começa durante o banho. A recomendação é lavar a região íntima diariamente com água e sabão, retraindo o prepúcio para limpar completamente a área. Depois da higiene, também é importante secar bem a região para evitar umidade, que favorece a proliferação de bactérias.
Esses cuidados são considerados fundamentais e podem reduzir o risco de infecções e complicações mais graves.
Apesar dos números preocupantes, especialistas afirmam que a maioria dos casos poderia ser evitada com informação e cuidados simples no dia a dia. A higiene íntima adequada, aliada à atenção aos sinais do corpo, é considerada a principal forma de prevenção.
Foto de capa: Shutterstock
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