Uma das características mais importantes de um fotógrafo é o chamado “olhar fotográfico”. Por isso, é natural imaginar que pessoas com problemas de visão enfrentam dificuldades para seguir esse caminho, certo? Errado. O eslovaco Jan Miskovic é a prova viva disso. Com -108 dioptrias, ele bateu o recorde mundial do maior grau de miopia já registrado. Ainda assim, mesmo com uma visão extremamente limitada, seu maior hobby continua sendo a fotografia.
Miopia: entenda o que é essa condição
A miopia é um distúrbio muito comum que afeta cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo. Caracterizada por ser um erro refrativo que dificulta a visão de objetos distantes, ela ocorre, principalmente, quando o globo ocular é mais alongado do que o normal ou quando a córnea tem uma curvatura excessiva. Nesses casos, a imagem não se forma corretamente sobre a retina, mas antes dela, o que provoca uma visão borrada para longe.
Quanto maior o grau, menor é a distância em que a pessoa consegue enxergar com nitidez. Em casos de graus mais elevados, acima de sete ou oito dioptrias, a miopia passa a exigir acompanhamento médico rigoroso, pois isso aumenta o risco de problemas como alterações na retina, descolamento retiniano e catarata ao longo da vida. Agora imagine conviver com um grau dezenas de vezes superior a esse limite: é exatamente a realidade de Jan Miskovic.
Jan Miskovic sempre teve problemas de visão, mas não desistiu da fotografia
Desde a infância, Jan Miskovic convive com uma combinação rara e complexa de condições oftalmológicas. Ao longo dos anos, foi diagnosticado com ambliopia, astigmatismo, estrabismo, ceratocone e miopia progressiva severa. A situação se agravou ainda mais após sofrer um grave acidente durante uma corrida em um hidroavião, uma aeronave aquática projetada para decolar, pousar e flutuar na água, que causou lesões em ambos os olhos. O uso prolongado de antibióticos após o acidente também contribuiu para o agravamento do quadro.
Em 2001, a miopia de Jan Miskovic já havia atingido -45 dioptrias, com uma progressão estimada entre quatro e cinco graus por ano. Hoje, na faixa dos 60 anos, ele está com -108 dioptrias, um número que nunca havia sido documentado na medicina. Mesmo assim, Jan não abandonou a fotografia.
Com o suporte de equipes internacionais de especialistas e lentes corretivas desenvolvidas sob medida, ele conseguiu preservar algum nível de funcionalidade visual. Embora não existam imagens de fundo de olho disponíveis para análise, médicos acreditam que áreas da retina e da coroide ainda estejam ativas, permitindo a entrada de estímulos visuais suficientes para que ele consiga tirar fotos.
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