Muitos hotéis no Japão passaram de lotação máxima para cancelamentos, como resultado da crise diplomática com a China

  • China pediu a seus cidadãos que não viajassem para o Japão, e eles foram obedientes;

  • Existe toda uma indústria turística voltada para cidadãos chineses, e ela está sofrendo muito.

Imagem | Gije Cho, Pexels
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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Um ataque chinês a Taiwan seria "uma situação que ameaça a sobrevivência" do Japão. Essa declaração foi feita em 9 de novembro por Sanae Takaichi, primeira-ministra japonesa, estopim para uma crise diplomática entre as duas nações, que permanece muito tensa até hoje. Uma das vítimas tem sido o turismo.

Após as declarações de Takaichi, o governo chinês aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão, e parece que o conselho foi acatado. O Nikkei Asia relata que todo o ecossistema empresarial que dependia do turismo chinês no Japão está sofrendo com essa disputa. Alguns proprietários de hospedagens que estavam com a placa de "lotado" se viram com cancelamentos em massa, e os restaurantes chineses nas áreas mais turísticas estão praticamente vazios.

É um exemplo de como as tensões entre a China e o Japão se traduzem rapidamente em impactos econômicos concretos. A maior parte do turismo japonês vem da China e criou toda uma indústria em torno dela, chamada "yitiao long", que significa "dragão". Estima-se que movimente cerca de R$ 350 bilhões por ano.

O dragão

É o nome dado à indústria do turismo para cidadãos chineses que visitam o Japão. Eles oferecem roteiros, restaurantes, transporte, entretenimento, hospedagem e muito mais. A particularidade é que os serviços são oferecidos por empresas de propriedade chinesa, então tudo é feito em seu próprio idioma e até mesmo sistemas de pagamento chineses são usados ​​para evitar a necessidade de câmbio de moeda. O fato de serem empresas tão voltadas para a clientela chinesa dificulta a adaptação a outras nacionalidades.

Tensões

O pedido da China para que não se viaje ao Japão não foi a única consequência das declarações do primeiro-ministro. A China também prosseguiu com manobras aéreas ameaçadoras e com a decisão de deixar zoológicos japoneses sem pandas, uma medida que pode parecer trivial, mas tem grande contexto.

Adeus à ambiguidade

A resposta da China pode parecer exagerada, mas a frase de Takaichi carrega vários detalhes importantes. O primeiro é que rompe com a tradição de líderes anteriores, cuja postura em relação a Taiwan sempre foi ambígua. Por outro lado, a menção à "situação que ameaça a sobrevivência" não é trivial. Refere-se a um requisito legal que permitiria ao Japão usar a força caso a China ataque Taiwan, mesmo que não o ataque diretamente.

Imagem | Gije Cho, Pexels

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