No início do século XX, um homem nascido na China passou a chamar a atenção da imprensa internacional ao afirmar ter 256 anos. A história acabou ganhando ainda mais força entre 1920 e 1930, quando jornais ocidentais, como The New York Times, e autoridades locais passaram a citar documentos oficiais que sugeriram uma idade muito acima do que se espera ser possível para um ser humano. O caso aconteceu na província de Sichuan e o homem em questão é Li Ching-Yuen, um herbalista conhecido por hábitos rigorosos, práticas meditativas e uma vida longeva incomum. Apesar da popularidade da história, até hoje não existem provas conclusivas capazes de confirmar ou negar definitivamente a idade de Li Ching-Yuen.
Registros antigos e relatos oficiais ajudaram a sustentar a ideia de uma longevidade fora de qualquer padrão conhecido
As primeiras tentativas de explicar como Li Ching-Yuen poderia ter 256 anos surgiram nas décadas de 1920 e 1930, quando autoridades locais, pesquisadores e jornais internacionais passaram a investigar a funda essa história. Eles descobriram documentos do governo imperial chinês que indicavam homenagens oficiais pelos aniversários de 150 e 200 anos do homem, registros que transformaram completamente o caminho desse caso.
Segundo os relatos da época, o homem teria nascido em Sichuan no século XVII e passado grande parte da vida viajando por regiões como Tibete e Manchúria, também na China, coletando ervas medicinais e estudando práticas tradicionais chinesas. Ainda jovem, Li Ching-Yuen teria se dedicado à fitoterapia e, ao longo das décadas, se tornado uma referência local no uso medicinal de plantas, além de praticar artes marciais e exercícios ligados ao qigong, exercícios ligados a Medicina Tradicional Chinesa que combina movimentos lentos e fluidos, respiração controlada e meditação para harmonizar e otimizar a energia vital do corpo, promovendo saúde física e mental, bem-estar e longevidade.
Além da idade extraordinária, outros detalhes ajudaram a alimentar o interesse em torno de Li Ching-Yuen. Segundo relatos reunidos, acredita-se que ele teria se casado 23 vezes ao longo da vida e deixado cerca de 180 descendentes distribuídos por ao menos 11 gerações, números que nunca foram confirmados oficialmente. A morte teria ocorrido em 1933, na província de Sichuan, supostamente por causas naturais. Ainda assim, assim como sua idade, as circunstâncias exatas de sua morte permanecem repleta de incertezas.
Hábitos rigorosos, meditação e uso de ervas: descubra o segredo por trás da longevidade
Apesar dos registros e relatos da época, a idade atribuída a Li Ching-Yuen nunca pôde ser comprovada por métodos históricos ou científicos. Créditos: Wikipedia
Com a idade avançada chamando atenção fora da China, surgiram também tentativas de explicar como alguém poderia ter vivido tanto tempo. Em entrevistas e reportagens publicadas pouco antes de sua morte, o próprio homem atribuiu a longevidade a uma rotina baseada em meditação, exercícios diários e no consumo de ervas medicinais e vinho de arroz.
“Manter o coração calmo, sentar como uma tartaruga, andar como um pombo e dormir como um cão”. Frase que sintetiza a filosofia de vida de Li Ching-Yuen.
Além de ser difícil acreditar que alguém foi capaz de viver tanto tempo, relatos de militares e outras pessoas que o conheceram em 1920 descrevem o homem como fisicamente ativo e com aparência muito mais jovem do que a idade atribuída.
Mas, com o tempo, surgiram explicações alternativas que fazem muito mais sentido do que acreditar na idade de Li Ching-Yuen. Alguns historiadores acreditam na hipótese de que o homem pudesse ter assumido a identidade de um ancestral mais velho, algo que não era incomum em determinados contextos históricos chineses. Outros apontaram falhas nos registros administrativos, mudanças de calendários e traduções imprecisas como fatores que poderiam inflar a idade atribuída a ele.
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