França pede à Renault que comece a fabricar drones militares e Alemanha cogita fazer o mesmo com a Volkswagen

O conflito na Ucrânia e a política externa dos EUA criaram urgência na demanda por novas defesas

França / Imagem: Motorpasión
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Ao longo da história, já tivemos exemplos de fabricantes automobilísticas produzindo armamento militar, como a Volkswagen, que produziu veículos militares importantes como o Kübelwagen e o Schwimmwagen durante a Segunda Guerra Mundial, utilizando a base do Fusca para manufaturar veículos utilitários e anfíbios para o exército alemão.

A BMW fez o mesmo ao fabricar componentes essenciais para armas durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente motores de aviação para aviões da Luftwaffe, como os radiais BMW 801 e o jato BMW 003, além de produzir motocicletas e carros para o exército alemão. A lista é longa.

No ano passado, foi anunciada uma colaboração entre a Renault e uma PME (pequena ou média empresa) francesa do setor de defesa para produzir drones de combate em solo ucraniano, um movimento que marcou uma virada radical na estratégia industrial de Paris.

Como explicou o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, trata-se de um acordo “win-win” com a Ucrânia, no qual o grupo automobilístico pretendia se unir a uma empresa especializada para estabelecer linhas de montagem dentro do país em guerra.

Agora, a Renault divulgou uma parceria com a Turgis Gaillard com o objetivo de desenvolver e produzir drones militares em suas fábricas de Le Mans e Cléon, sob a supervisão da Direção-Geral de Armamentos do país. Isso marca a entrada da fabricante francesa no setor de defesa para ajudar a aumentar a produção para o exército francês.

Os esforços militares ligados à invasão russa da Ucrânia e as novas necessidades identificadas pela Europa em resposta à evolução da política externa dos Estados Unidos criaram novos requisitos de armas e equipamentos militares que os setores de defesa tradicionais terão dificuldade em atender no curto prazo.

Segundo o jornal francês La Tribune, tanto a Renault quanto a Turgis Gaillard poderiam fabricar um drone tático com cerca de dez metros de envergadura “a um preço extremamente competitivo”, com capacidade de produção de até 600 unidades por mês ao final do primeiro ano de atividade.

A montagem da estrutura dos drones será realizada em Le Mans, tarefa que envolverá entre 100 e 200 dos 1.800 funcionários que atualmente projetam e fabricam chassis de automóveis, enquanto em Cléon serão produzidos os motores de combustão interna.

O projeto prevê desenvolver um veículo não tripulado de longo alcance, que também poderá ser usado para missões de observação e inteligência. Estima-se que sua produção possa chegar a até 600 unidades por mês. No entanto, inicialmente, está prevista a entrega de cerca de dez drones até meados deste ano para validar o conceito.

Se o teste for bem-sucedido, as empresas devem firmar um acordo de dez anos com o Ministério da Defesa francês. O valor do contrato é estimado em aproximadamente 1 bilhão de euros nesse período. 

Nos últimos meses, a indústria automobilística francesa e europeia tem sido chamada a colaborar no desenho e na produção em massa de equipamentos e armamentos militares, seja de forma integral ou parcial. Desde 2025, a Rheinmetall, a maior contratada de defesa da Alemanha, está em processo de reconverter duas plantas automotivas no país para a produção de equipamentos militares, refletindo o impacto do aumento dos gastos com defesa na região — e uma delas é a de Osnabrück, da Volkswagen.

Até o momento, o CEO da Rheinmetall, Armin Papperger, vem dito que não há nada fechado, mas já falou em utilizar a planta para fabricar tanques e outros sistemas militares, evitando assim os custos de construir uma nova instalação.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Motorpasión.


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