Faltando menos de quatro meses para a Copa do Mundo 2026, hotéis no México estão longe de estar lotados: apenas 30% das reservas foram feitas

Imagem | Montagem com fotos de Booking e FIFA
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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A menos de meses da Copa do Mundo da FIFA de 2026, o cenário hoteleiro nas cidades-sede mexicanas está longe da euforia esperada. Na Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, a média de reservas é de cerca de 30%, um número que contrasta com a expectativa de lotação máxima que geralmente acompanha um evento dessa magnitude. Os dados, provenientes do setor hoteleiro nacional, revelam que ainda há "muito espaço a preencher" em meio à contagem regressiva para o torneio mais importante do futebol.

Em declarações ao El Economista, o presidente da Associação Mexicana de Hotéis e Motéis, Miguel Ángel Fong, reconheceu que "as reservas até agora, quatro meses antes do evento, estão lentas, estamos em torno de 30% das reservas, ainda há muito espaço a preencher, mas certamente a cada dia o nível de demanda por quartos aumentará". A confiança está voltada para uma recuperação de última hora, embora hoje o ritmo seja moderado.

Monterrey avança mais rápido, Guadalajara amplia oferta em meio à incerteza

O comportamento não é homogêneo. Segundo o mesmo relatório, Monterrey atinge cerca de 60% das reservas, mas com uma oferta de quartos menor em comparação com Guadalajara. "Em Monterrey, a ocupação é maior, mas também porque há menos quartos disponíveis; então, em porcentagem, é maior, mas em número de quartos, é menor. Lá, fala-se em 60% das reservas, mas em Guadalajara estamos falando de metade da oferta de quartos", explicou Fong González.

Em Guadalajara, além do ritmo moderado de reservas, o setor enfrenta um aumento na oferta. Segundo o relatório, dois novos hotéis foram inaugurados esta semana, incluindo o WorldHotels Andares, com 104 quartos, e outros três devem abrir antes do torneio. No total, 500 quartos serão adicionados ao estoque local. O presidente da Associação Hoteleira de Jalisco explicou que as reservas têm apresentado "picos e vales" devido ao calendário espaçado das partidas, o que distribui a demanda ao longo de um mês e retarda as reservas antecipadas.

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Atualmente, a capital de Jalisco registra cerca de 30% dos quartos reservados, embora o setor projete uma ocupação entre 80% e 90% durante o evento, com 100% de ocupação nos dias de jogos e nas noites que antecedem a partida. No entanto, ainda não se sabe o que acontecerá com Guadalajara após a recente onda de violência no estado, um fator que pode afetar a percepção de segurança e a decisão de viagem de torcedores nacionais e internacionais.

Tarifas voláteis: do "bloqueio" preventivo a possíveis aumentos de 300%

Em termos de preços, o ajuste tem sido dinâmico. Segundo reportagem do El Economista, os primeiros aumentos expressivos responderam a uma estratégia de "bloqueio" diante da incerteza quanto à demanda, mas, com o aumento do ritmo das reservas, as tarifas começaram a se ajustar para baixo. Mesmo assim, caso a alta ocupação se concretize, podem ser registrados aumentos entre 100% e 150%, e até mesmo de 300% em locais específicos próximos aos estádios.

De acordo com reportagem do El País, os preços dos hotéis na Cidade do México subiram, em média, 961% para datas próximas à Copa do Mundo, o maior aumento entre todas as sedes. Monterrey registra um aumento médio de 466% e Guadalajara de 405% em acomodações próximas ao Estádio Akron. Embora muitas acomodações já estejam esgotadas, o contraste com a média de 30% de reservas atuais mostra uma dinâmica desigual entre segmentos e datas.

Nos Estados Unidos, impacto "modesto", mas crucial para o setor

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o impacto agregado do torneio pode ser limitado. Um relatório da CoStar e da Tourism Economics, citado pelo Hotel Dive, prevê um aumento de 1,7% na receita por quarto disponível (RevPAR) em junho e julho, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e de 12,7% nos mercados-sede durante os meses do torneio. Isaac Collazo, da STR, classificou a previsão como "moderada devido à incerteza em relação às viagens internacionais de entrada".

A recuperação da ocupação começaria em 12 de junho e permaneceria alta até 4 de julho, diminuindo posteriormente. Ou seja, mesmo no maior mercado do torneio, o efeito será temporário e concentrado em datas-chave. No México, o setor hoteleiro aposta num cenário semelhante: picos de lotação nos dias de jogos e uma alta taxa média de ocupação, porém não constante.

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Airbnb entra no jogo e promete renda extra

Ao mesmo tempo, a economia colaborativa se prepara para capitalizar a demanda. Segundo o New York Post, o Airbnb está oferecendo US$ 750 para novos anfitriões em cidades-sede que receberem seus primeiros hóspedes até 31 de julho de 2026. A Deloitte estima que os moradores poderiam ganhar em média US$ 3 mil durante o torneio, ampliando a concorrência com os hotéis tradicionais.

A Copa do Mundo já está pressionando o mercado imobiliário, com aumentos de aluguel entre 25% e 40% em áreas próximas aos estádios. Quatro meses antes do início, o contraste já é visível, com preços exorbitantes, novos quartos sendo adicionados ao inventário e, por enquanto, hotéis ainda longe da ocupação prometida. A verdadeira festa, pelo menos em termos de hospedagem, ainda não começou.

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