Crescemos pensando que a carreira profissional era como uma escada. Você entra por baixo, vai aprendendo a subir os degraus e, se tudo correr bem, na última etapa da vida pode chegar ao topo, onde o espera um escritório confortável de onde se pode olhar para baixo e avaliar até que ponto todo aquele esforço valeu a pena. O problema é que a Geração Z não se interessa por esse degrau. Nem por esse, nem por nenhum dos anteriores, na verdade.
Segundo uma pesquisa da Deloitte com mais de 22.500 jovens de 44 países, apenas 6% aspiram a um cargo de liderança como objetivo no mercado de trabalho. O crescimento está lá, atenção. Eles querem aprender novas habilidades, acumular experiência e fazer com que tudo isso se traduza em mais dinheiro no bolso.
Não importa se você pergunta nos Estados Unidos, na Suíça ou na França: o objetivo continua sendo o mesmo, mas, em nenhum desses casos, ele passa por ser chefe. O que eles querem é o conscious unbossing.
O conscious unbossing da Geração Z
Apresentado por meio de um daqueles termos que o RH tira da cartola para explicar por que ninguém mais entende o mercado de trabalho, o conscious unbossing refere-se à rejeição consciente do cargo de chefia. Existe a intenção de progredir, sim, mas desde que isso não implique acabar gerenciando outras pessoas.
Na verdade, eles não fogem das pessoas; o que fazem é escapar de tudo o que soe como mais trabalho, mais responsabilidades, mais estresse e mais burnout em um ambiente onde ser chefe já não significa o mesmo que significava para os nossos pais.
Algo se rompeu na conexão entre ascender na carreira e querer ser chefe — não apenas porque sempre haverá alguém exercendo pressão sobre você, mas porque aprender, ter mais autonomia e ganhar mais não precisa, necessariamente, envolver lidar com conflitos.
A chave está no fato de que, ao serem questionados se desejam assumir responsabilidades em algum momento de suas carreiras, 80% dos jovens da Geração Z respondem que sim. Que sentido isso faz, então? Na verdade, faz muito sentido, mas somos nós que não estamos acostumados a essa perspectiva.
O que eles rejeitam é a ideia de "ser chefe" como o objetivo central em torno do qual toda a carreira profissional deve girar; e, olhando de fora e com certa perspectiva, torna-se cada vez mais difícil não querer aplaudi-los por isso.
Imagem de capa | Spectrum22 no Midjourney
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