Essa ilha do pacífico pode ficar totalmente submersa nos próximos 75 anos e já prepara a evacuação dos moradores

Formado por nove ilhas e atóis, Tuvalu pode ter até 95% de sua área inundada regularmente até 2100, enquanto o governo busca maneiras de proteger o território e manter sua população

Tuvalu
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O Tuvalu, um pequeno país formado por nove ilhas e atóis no Oceano Pacífico, pode perder grande parte de seu território para o mar nos próximos anos. Na principal ilha do país, Funafuti, cerca de metade da área terrestre poderá ser inundada regularmente durante a maré alta até 2050, enquanto a projeção para 2100 chega a 95%. 

Essa situação levou o país a sediar uma etapa da Pré-COP do Pacífico, colocando diante dos negociadores climáticos uma realidade que seus moradores já enfrentam. Ao mesmo tempo em que tenta proteger as ilhas da elevação do nível do mar, Tuvalu também começa a preparar alternativas para que a população consiga manter sua vida e sua identidade mesmo diante da possível perda de território habitável.

Um país inteiro pode ser engolido pelo mar

A vulnerabilidade de Tuvalu está totalmente ligada à sua própria geografia. Espalhado por cerca de 26 km² de terra, o país fica entre a Austrália e o Havaí e é formado por nove ilhas e atóis de coral, um conjunto de ilhotas em formato de anel, formado principalmente por recifes de coral. Nenhum ponto do território está muito acima do oceano: o ponto mais alto chega a aproximadamente 4,6 metros.

Dentro desse conjunto de ilhas está Fongafale, a principal ilha do atol de Funafuti e onde fica a capital de Tuvalu. Em alguns de seus trechos, a faixa de terra tem apenas 10 metros de largura, deixando uma área extremamente estreita entre o oceano de um lado e a lagoa do outro. Essa configuração torna a ilha totalmente vulnerável à elevação do nível do mar e às inundações durante períodos de maré alta.  A projeção para as próximas décadas ajuda a entender o tamanho do problema:

  • Até 2050: cerca de metade da área terrestre de Funafuti poderá sofrer inundações regulares durante a maré alta, caso as emissões de gases de efeito estufa continuem no ritmo atual;
  • Até 2100: a parcela poderá chegar a 95% da área;
  • Ponto mais alto do país: aproximadamente 4,6 metros acima do nível do mar.
  • Área territorial: cerca de 26 km², distribuídos por nove ilhas e atóis.

A elevação do nível do mar também pode comprometer um recurso básico para a população: a água doce. Quando a água salgada avança sobre as ilhas, ela pode penetrar no solo e chegar às reservas subterrâneas de água, tornando-as impróprias para consumo e dificultando o cultivo de alimentos. Ou seja, mesmo antes de uma área ficar permanentemente submersa, a presença cada vez maior do mar já pode tornar o território mais difícil de habitar.

Há, porém, um detalhe que torna essa história menos simples do que imaginar as ilhas simplesmente desaparecendo pouco a pouco. Um estudo de 2018 mostrou que a área total de Tuvalu cresceu quase 3% entre 1971 e 2014, porque ondas e tempestades transportaram areia e corais para as ilhas. No entanto, isso não significa que o país esteja livre do risco, já que ainda não se sabe se esse processo natural será capaz de acompanhar uma elevação mais acelerada do nível do mar no futuro.

Enquanto o mar avança, Tuvalu tenta garantir o futuro de sua população

tuvalu Funafuti, onde fica a capital de Tuvalu, concentra áreas de terra extremamente estreitas e vulneráveis à elevação do nível do mar

O avanço do mar já está mudando a maneira como Tuvalu pensa sobre seu próprio futuro. Alguns moradores têm buscado uma alternativa fora da ilha, após a Austrália criar um regime especial de vistos que permite a cidadãos tuvaluanos viver, trabalhar e estudar no país. A possibilidade de migração, no entanto, não significa que Tuvalu esteja simplesmente desistindo de seu território. O governo também tenta criar condições para que a população permaneça nas ilhas pelo maior tempo possível.

Em Funafuti, foram construídas novas áreas de terreno elevado para reduzir a exposição às inundações, e outros projetos semelhantes estão planejados para os próximos anos. A estratégia é adaptar o território enquanto ainda existe espaço para isso.

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