O Dacia Duster Tribrid 4x4 encontrou uma maneira diferente de competir com os carros elétricos: combinar um sistema híbrido com motor a gasolina e GLP. Em um teste realizado na Alemanha, o SUV conseguiu rodar por cerca de 1.400 km somando os dois tanques, enquanto o custo para percorrer 100 km com GLP ficou abaixo do registrado por um SUV elétrico abastecido em carregadores públicos. A configuração também entrega 154 cavalos (cv), tração nas quatro rodas e velocidade máxima de 180 km/h, mas parte da vantagem está longe de ser apenas desempenho. Com preço inicial de 28.990 euros na configuração testada, o Duster aposta em uma fórmula mais barata para quem precisa percorrer longas distâncias sem depender de recargas.
Híbrido, gasolina e GLP: o Duster usa três fontes para ganhar autonomia
Com GLP, gasolina e um pequeno sistema elétrico, o Duster tenta unir autonomia de sobra e menor custo de rodagem
Nem é preciso escolher entre gasolina, GLP ou eletricidade. O Dacia Duster testado usa os três, cada um com uma função diferente, para reduzir o consumo e estender a autonomia. A versão Tribrid 150 4x4 reúne um motor a gasolina turbo de três cilindros, um sistema elétrico e um tanque adicional de GLP, o gás liquefeito de petróleo. O carro entrega 154 cv de potência e 230 Nm de torque, levando o SUV de aproximadamente 1,6 tonelada de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos. A velocidade máxima chega a 180 km/h, enquanto a transmissão automatizada tem seis marchas e dupla embreagem.
A eletrificação também tem uma função importante na tração. Ao invés de usar um eixo mecânico para levar a força do motor dianteiro às rodas traseiras, o Duster utiliza um motor elétrico no eixo traseiro. Assim, o sistema consegue acionar as quatro rodas quando necessário sem precisar conectar mecanicamente os dois eixos.
A bateria, porém, é pequena: tem apenas 0,84 kWh. Isso significa que o SUV não foi projetado para percorrer longas distâncias exclusivamente no modo elétrico. Segundo o teste, o Duster consegue funcionar sem o motor a combustão por até 60% do tempo, com a bateria sendo recarregada principalmente pela recuperação de energia durante a condução ou pelo próprio motor.
A principal vantagem dessa combinação aparece mesmo na hora de abastecer. O motorista pode alternar entre gasolina e GLP com um botão, sem mudanças perceptíveis no funcionamento do veículo. O GLP tem uma densidade energética menor que a gasolina, portanto o consumo em litros é maior, mas o preço por litro compensa parte dessa diferença. No teste do FOCUS online, o Duster registrou consumo médio real de 8,1 litros de GLP a cada 100 km.
A autonomia também é um ponto relevante do veículo. O SUV tem um tanque de gasolina de 50 litros e outro de 50 litros para GLP. Com os dois abastecidos, a autonomia total ficou em torno de 1.400 km, segundo o teste. Isso significa que o motorista pode percorrer uma distância bastante longa antes de precisar parar novamente para abastecer. É uma característica especialmente interessante para quem usa o carro em viagens e não quer depender exclusivamente da infraestrutura de recarga.
Duster custa menos para rodar com GLP, mas o resultado depende de onde o elétrico é carregado
A comparação com os carros elétricos, porém, precisa de contexto. O custo para rodar varia conforme o combustível e, no caso dos elétricos, principalmente conforme o local de recarga. No teste, o Duster consumiu 8,1 litros de GLP a cada 100 km, o que resultou em um custo menor do que o de um SUV elétrico carregado em postos públicos. Em casa, com uma tarifa de energia mais baixa, a situação se inverte e o elétrico passa a levar vantagem.
Essa diferença ajuda a colocar a proposta do Duster em perspectiva: não é que o GLP seja sempre mais barato que a eletricidade, mas a combinação de combustíveis dá ao SUV mais opções para reduzir o gasto e manter uma autonomia elevada. O preço também faz parte da equação. No mercado analisado, o Duster Tribrid 4x4 Extreme parte de 28.990 euros, enquanto a versão mais simples com gasolina e GLP começa em 18.990 euros. O SUV ainda oferece 348 litros de porta-malas, bancos confortáveis, ar-condicionado automático, entrada sem chave, faróis de LED e sensores de estacionamento.
A solução, porém, cobra seu preço em espaço: o tanque de GLP ocupa a região onde ficaria o estepe e reduz alguns compartimentos sob o piso do porta-malas. No uso diário, o teste também registrou alguns trancos da transmissão em baixa velocidade e iluminação considerada fraca, além do uso de bastante plástico rígido no interior.
Mesmo com essas limitações, o Duster mostra que a busca por economia não precisa seguir apenas o caminho dos carros totalmente elétricos. Ao combinar uma pequena bateria, gasolina, GLP e tração elétrica no eixo traseiro, o SUV aposta em flexibilidade para reduzir o custo das viagens e ampliar a autonomia.
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