Ele vem sendo monitorado desde 1946, mas agora parece que vai desaparecer de vez. Uma das geleiras dos Alpes vai derreter definitivamente nos próximos dias

A Geleira Triglav, na montanha mais alta da Eslovênia, já foi um destino para esqui no verão e chegou a ocupar mais de 40 hectares; hoje, restam apenas pequenos fragmentos de gelo

Geleira Triglav
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A Geleira Triglav, na Eslovênia, vem sendo acompanhada de perto há décadas por cientistas que registram sua redução ano após ano. Agora, os últimos fragmentos de gelo podem desaparecer literalmente nos próximos dias, encerrando a história de uma das últimas geleiras do país. Localizada na encosta nordeste do Monte Triglav, a 2.863,65 metros de altitude, ela já ocupou mais de 40 hectares no final do século XIX. Em 1946, quando o monitoramento científico começou, restavam cerca de 14 hectares. Hoje, a realidade é muito mais triste: praticamente não há mais formação de gelo novo.

De 40 hectares a poucos fragmentos: porque a geleira Triglav pode desaparecer?

A transformação da Geleira Triglav é mais um retrato das mudanças provocadas pelas ações humanas sobre o planeta e ajuda a dimensionar o quanto a paisagem pode mudar ao longo dos anos. No fim do século XIX, a Geleira de Triglav era gigante: a área coberta pelo gelo ultrapassava 40 hectares. Mas quando os cientistas começaram a monitorá-la, em 1946, esse número já havia caído para 14 hectares. Desde então, o recuo continuou até deixar apenas pequenos fragmentos de gelo na encosta do Monte Triglav. 

Para Miha Pavšek, do Instituto Geográfico Anton Melik, ligado à Academia Eslovena de Ciências e Artes, a geleira deixou de funcionar como uma geleira propriamente dita porque não consegue mais acumular gelo novo. Ela acompanha pessoalmente o local há cerca de 30 anos. Durante boa parte desse período, a geleira ainda fazia parte da paisagem da Eslovênia e chegou a ser um destino conhecido para quem praticava esqui no verão. Agora, porém, o pesquisador afirma que os últimos vestígios podem desaparecer em poucos dias. A previsão é que a Geleira Triglav deixe de existir definitivamente ainda este ano, caso o gelo remanescente não consiga sobreviver às condições atuais.

Pouca neve no inverno acelerou o desaparecimento do gelo

O desaparecimento da geleira não aconteceu de uma hora para outra: é resultado de um processo lento, mas contínuo. As condições registradas neste ano ajudaram a acelerar um processo que já vinha ocorrendo há décadas. No último inverno, a região recebeu menos neve do que o normal, e a camada que chegou a se formar derreteu excepcionalmente cedo. Com menos neve para protegê-lo, o gelo que ainda restava ficou exposto às temperaturas mais altas do verão durante um período maior.

Segundo Miha, nem mesmo uma área naturalmente mais protegida, sombreada e abrigada seria suficiente para preservar os fragmentos restantes. O problema também faz parte de uma tendência mais ampla nos Alpes e em outras regiões da Europa, continente que está aquecendo mais rapidamente do que qualquer outro. Na Áustria, por exemplo, o recuo das geleiras pode ter consequências para o abastecimento de água no futuro. O derretimento pode alterar o fluxo das bacias dos rios Drava e Mura, importantes para a irrigação de áreas agrícolas da Eslovênia.

A situação também é crítica na Suíça, onde as geleiras dos Alpes perderam 5,5% do volume de gelo neste ano, a segunda maior queda percentual já registrada no país. Nos últimos cinco anos, a redução acumulada chegou a quase um quinto do volume. O que acontece agora com a Triglav, portanto, é o retrato de uma transformação que já pode ser observada em diferentes pontos da Europa e que, neste caso, está prestes a apagar uma parte da paisagem da Eslovênia. 

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