Elon Musk está aproveitando a imensa rede da Starlink para lançar sua própria operadora de telefonia via satélite

Em poucas semanas, ele comprou frequências, conversou com os proprietários das antenas e contratou um fornecedor de tecnologia 5G

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Nos últimos meses, Elon Musk vem batendo à porta das grandes operadoras dos Estados Unidos. Sua proposta era simples: usar as redes de telefonia delas para oferecer um serviço de telefonia móvel via satélite com a Starlink. Todas disseram não. Qualquer pessoa teria desistido. Mas Musk fez algo que só ele seria capaz de fazer: montar sua própria operadora e concorrer diretamente com aquelas que lhe fecharam as portas.

Em poucas semanas, comprou frequências, conversou com os proprietários das antenas e contratou um fornecedor de tecnologia 5G para colocar em funcionamento a rede de telefonia via satélite que outras empresas não quiseram montar.

A rejeição mais clara veio com a divulgação dos resultados do terceiro trimestre. O CEO da T-Mobile, Srini Gopalan, descartou qualquer acordo de operadora móvel virtual (OMV) com a SpaceX. Esse tipo de acordo consiste em alugar a rede de outra operadora e vender o serviço sob sua própria marca. Assim, a Starlink se tornaria uma operadora virtual com serviços de conectividade via satélite.

Gopalan afirmou que “o serviço via satélite é uma versão inferior do FWA, com ainda mais limitações, como o tamanho do feixe”. O FWA (Fixed Wireless Access) é uma modalidade de acesso à internet fixa por meio de uma rede móvel, o que contribuiria para ampliar a oferta atual da Starlink. Dan Schulman, da Verizon, foi igualmente categórico ao garantir que “não vejo absolutamente nenhum benefício” em oferecer uma plataforma de operadora móvel virtual a um fornecedor de comunicações via satélite.

Diante da recusa das operadoras de telefonia em lhe dar acesso às suas redes, Musk foi atrás do recurso mais escasso: o espectro de frequências. A SpaceX pagou à EchoStar cerca de 17 bilhões de dólares, entre dinheiro e ações. O pacote incluía frequências na banda de 2 GHz, destinadas à comunicação com celulares a partir do espaço.

Em outubro, chegou a segunda peça fundamental da estratégia que Musk estava construindo. A SpaceX fechou um acordo para comprar da Grain Management até 14 MHz de espectro pareado na banda de 800 MHz. São ondas de baixa frequência, que atravessam paredes e chegam ao interior dos edifícios. Segundo a SpaceX, com essas bandas, a Starlink Mobile poderia ser “a primeira operadora de rede a implementar espectro tanto via satélite quanto terrestre”. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos ainda precisa aprovar a operação.

No entanto, embora a SpaceX já tenha os satélites e a capacidade de transmitir sinais de telefonia, ainda precisa de algo fundamental: antenas para distribuir esse sinal. A Bloomberg revelou que a SpaceX buscava acesso a pelo menos 80 mil antenas nos Estados Unidos. Segundo a Wireless Infrastructure Association, isso corresponderia à metade das 158,5 mil torres existentes no país no ano passado.

Para equipar esses locais, a SpaceX acaba de firmar uma parceria com a Qualcomm, por meio da qual a fabricante fornecerá suas plataformas Dragonwing para dezenas de milhares de estações rádio-base terrestres da Starlink Mobile, com implantação a partir de 2027.

Com satélites, frequências, antenas e a tecnologia necessária para construir sua rede de telefonia, falta a Musk apenas uma coisa: clientes que paguem as contas. O The Washington Post informou que a SpaceX estava negociando a compra da Boost Mobile, o que representaria sua porta de entrada em um mercado de telefonia avaliado em 235 bilhões de dólares. Se tudo der certo, Musk controlará toda a cadeia: satélites, rede terrestre e lojas.

O paradoxo é que poucas empresas de telecomunicações podem dizer o mesmo, já que as operadoras não possuem satélites próprios. Na Europa, Telefónica, Orange e Vodafone se uniram para enfrentar um inimigo comum, a Starlink, mas, como destacou a Forbes, ainda não escolheram um parceiro do setor espacial. As operadoras virtuais, por sua vez, dependem de uma rede de terceiros, justamente o que foi negado a Musk e que agora ele pretende construir por conta própria.

Imagem | Flickr (Gage Skidmore)

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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