Colapso histórico da bolsa americana: as grandes empresas de tecnologia perdem, neste momento, entre 9% e 19%

Wall Street registra fortes quedas, com o Nasdaq perdendo 5,2% durante o pregão

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A alegria durou pouco em Wall Street. Apenas um dia depois de as bolsas americanas celebrarem os resultados das eleições legislativas com fortes altas, o cenário mudou completamente. Os investidores estão vendendo ações de empresas de tecnologia em um ritmo que está provocando quedas acentuadas, especialmente entre os fabricantes de semicondutores. Por trás desse movimento, há uma preocupação que vai além de um dia ruim no mercado de ações: o temor de que a expansão da inteligência artificial encontre obstáculos e não consiga manter o ritmo de crescimento que o mercado havia previsto.

A dimensão da queda fica mais evidente quando colocamos os números na mesa. Segundo dados publicados pela Associated Press às 19h46 de quinta-feira, 5 de novembro, no horário da Espanha continental, o Nasdaq Composite recuava 5,2%, enquanto o S&P 500 caía 3,9% e o Dow Jones perdia 3,1%. São números de um pregão ainda em andamento, e não resultados definitivos do fechamento, mas permitem constatar que as vendas estavam afetando os três principais índices americanos. O impacto era especialmente intenso no Nasdaq, onde as empresas de tecnologia têm peso expressivo.

O impacto também é sentido em algumas das empresas que mais se beneficiaram do crescimento da inteligência artificial. Quando observamos as cotações individuais, encontramos perdas especialmente acentuadas entre os fabricantes de semicondutores, mas também em empresas relacionadas aos centros de dados. Na mesma atualização da Associated Press, estas eram algumas das quedas registradas durante o pregão:

  • Nvidia: caía 8,7%.
  • AMD: despencava 15,5%.
  • CoreWeave: recuava 12,5%.
  • GE Vernova: perdia 7,7%.

Uma das preocupações que ajudam a entender esse cenário diz respeito ao dinheiro necessário para sustentar a expansão da inteligência artificial e à rentabilidade que esses investimentos podem oferecer. Como a Reuters vem documentando, construir centros de dados exige enormes desembolsos em processadores, infraestrutura elétrica e sistemas de refrigeração, enquanto as receitas futuras continuam sujeitas a incertezas. Daniel Pinto, vice-presidente do JPMorgan, alertou em 3 de novembro, segundo a agência, que o mercado pode estar antecipando um crescimento de receitas e lucros rápido demais para as empresas ligadas à IA. Uma revisão para baixo dessas expectativas também poderia afetar os fabricantes que fornecem a tecnologia necessária para essa expansão.

A esse cenário somam-se os resultados das eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Os democratas conquistaram a maioria nas duas casas do Congresso, cujo controle assumirão em janeiro de 2027, e obtiveram vitórias em estados como Texas e Geórgia, importantes para a expansão dos centros de dados. Segundo a Reuters, os investidores temem que uma fiscalização mais rigorosa e possíveis restrições estaduais e locais, especialmente em relação à concessão de licenças, atrasem a construção de novas instalações. Os analistas do UBS estimam que possíveis suspensões de projetos poderiam colocar em risco cerca de 30% da capacidade adicional prevista para 2028 nos Estados Unidos. Trata-se de uma estimativa sobre projetos futuros, não de instalações cujo cancelamento já esteja confirmado.

Além dessas preocupações, os analistas também tentam explicar por que as vendas estão sendo tão intensas. Mark Hackett, estrategista-chefe de mercados da Nationwide, explicou à Reuters que o tombo é impulsionado principalmente por vendas institucionais e pela redução de posições alavancadas de fundos de hedge. Sameer Samana, do Wells Fargo Investment Institute, aponta outra possível mudança nas preferências dos investidores: o capital poderia migrar de empresas valorizadas por suas expectativas de crescimento para outras capazes de gerar fluxos de caixa mais sólidos.

A questão agora é se esse abalo no mercado de ações terá consequências para além das cotações. Uma queda tão acentuada parece refletir uma mudança importante nas expectativas dos investidores, embora isso não signifique que eles estejam abandonando seus planos de expansão. Para entender até que ponto o problema pode chegar, teremos de verificar se os projetos começam a ser adiados, entre outros fatores.

Imagem | Romulo Queiroz

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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