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Educador canino Hugo Fernández alerta: "Pensar que um cachorro tem todas as suas necessidades atendidas com 20 minutos de passeio é um absurdo"

Muitos tutores obrigam os cães a se adaptar ao seu ritmo de vida, sem se perguntar se ele é o mais adequado para seus animais de estimação

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Conviver com um cachorro vai muito além de encher seu pote de comida ou levá-lo para passear duas vezes por dia. Estamos cada vez mais conscientes de que o bem-estar desses animais também depende de fatores como estímulo mental, exercício físico e a possibilidade de desenvolver comportamentos próprios da espécie. Ainda assim, muitas das rotinas que consideramos normais estão longe de atender às suas reais necessidades.

A vida nas cidades também mudou a forma como convivemos com nossos animais de estimação. Jornadas de trabalho longas, pressa e falta de tempo fazem com que, em muitos casos, adaptemos o cachorro ao nosso ritmo de vida, em vez de nos esforçarmos para compreender do que ele realmente precisa.

Foi justamente sobre esse tema que o educador canino Hugo Fernández refletiu durante uma entrevista recente ao podcast Seres Mortales, na qual explicou os erros mais frequentes cometidos por tutores de cães em ambientes urbanos. Na conversa, o especialista espanhol toca em um ponto que a maioria dos donos nem sequer considera: a vida que seus cães levam tem muito pouco a ver com aquela para a qual eles foram feitos.

É uma bomba-relógio

Fernández, que trabalhou com milhares de cães ao longo da carreira, aponta diretamente o ritmo das cidades como a origem de boa parte dos problemas de comportamento que observa em seus atendimentos. "O maior erro que os tutores cometem com seus cães é enfiá-los em um ambiente urbano com um ritmo frenético", afirma na entrevista.

Para o educador, a volta no quarteirão durante 20 minutos — aquele passeio quase automático que tantos tutores fazem antes de sair para o trabalho ou ao voltar para casa no fim do dia — está longe de suprir o que um cachorro realmente precisa. "Pensar que um cachorro pode ficar satisfeito ou ter todas as suas necessidades atendidas com um passeio de 20 minutos dando voltas no quarteirão é um absurdo", afirma.

O problema, explica ele, é que essa carência não desaparece, mas vai se acumulando e pode se manifestar a qualquer momento na forma de problemas de saúde. Segundo o especialista, essa situação "é uma bomba-relógio que, cedo ou tarde, aparece no comportamento ou em problemas físicos. Muitos cães adoecem por estarem emocionalmente mal".

Latidos incessantes, ansiedade quando o tutor sai de casa, móveis destruídos e rosnados sem motivo aparente: para o educador, nenhum desses comportamentos é o verdadeiro problema, mas sim um sinal de que existe algo mais profundo acontecendo, seja na rotina, na gestão emocional ou até mesmo por causa de um problema de saúde que ainda não foi identificado.

Cada cão tem seu jeito

Fernández também critica outra tendência que observa com frequência cada vez maior: a humanização dos cães. Vesti-los, falar com eles como se fossem pessoas e tratá-los como crianças pequenas é, para ele, uma forma de maus-tratos disfarçada de carinho. "Respeitar sua natureza e sua função é essencial para seu bem-estar", defende, insistindo que a linguagem canina é muito mais complexa do que costumamos imaginar e que compreendê-la exige deixar de projetar no animal características que não lhe pertencem.

Além disso, o educador lembra que nem todos os cães são iguais. A raça, a genética, o ambiente familiar e o nível de atividade de que cada animal necessita variam enormemente. Como exemplo, o especialista afirma que "há muitas raças que não são cinéticas e que não gostam de explorar quando seus tutores saem para fazer trilhas; elas seriam mais felizes no jardim de casa, vendo a vida passar. E acontece o contrário também. Há raças que são cinéticas, como galgos, galgos-afegãos, bracos ou qualquer cão de caça, que ficam presos pela coleira na varanda de um bar. Estão matando esses animais em vida".

Nesse sentido, escolher um cachorro deveria ser uma decisão tomada com base no estilo de vida de quem pretende adotá-lo, e não por impulso ou por modismo. Ter um cachorro em casa exige tempo, dinheiro e uma responsabilidade que dura anos, e não apenas durante o primeiro verão do filhote.

Imagens | En clave de can (Instagram), Wirestock (Magnific)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Trendencias.


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