É oficial; o Reino Unido acaba de proibir para sempre a venda de cigarros para qualquer pessoa que tenha nascido depois de 2008

Projeto impede que jovens tenham aceesso ao cigarro ao longo de toda a vida

Mulher jovem fumando cigarro
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

O Reino Unido deu um passo inédito na política de saúde pública. O governo aprovou uma legislação que impede, de forma permanente, que pessoas nascidas a partir de 2009 comprem cigarros ao longo da vida. A medida, considerada uma das mais rígidas já adotadas contra o tabagismo, foi aprovada pelo Parlamento britânico e agora aguarda as etapas finais para entrar plenamente em vigor.

Diferentemente de proibições tradicionais baseadas em idade mínima, a nova regra cria um modelo progressivo: a cada ano, a idade legal para compra de cigarros aumenta. Isso significa que parte da população nunca poderá adquirir legalmente itens derivados do tabaco, mesmo na vida adulta.

Segundo o ministro da Saúde, Wes Streeting, a proposta representa um “momento histórico” e tem como objetivo formar a primeira geração livre do tabagismo, reduzindo drasticamente doenças associadas e a pressão sobre o sistema público de saúde.

Proibição geracional atinge nascidos a partir de 2009

A lógica da lei rompe com o modelo tradicional de regulação. Hoje, no Reino Unido, existe uma idade mínima fixa para comprar cigarros. Com a nova lei, o modelo muda completamente: a idade mínima passa a subir todos os anos.

A partir da entrada total da lei, quem nasceu depois de 1º de janeiro de 2009 nunca poderá comprar cigarros legalmente, criando um bloqueio permanente para determinadas faixas etárias.

Na prática, em 2026, a idade mínima para a compra legal de cigarro é 18 anos. Pessoas nascidas em 2009, com 17 anos, não podem ter acesso. No próximo ano, e sucessivamente, a idade mínima sobe para 19 anos — enquanto isso, nascidos em 2009 completam 18 anos e continuam proibidos de adquirir cigarros legalmente. 

Esse tipo de abordagem é conhecido como “proibição geracional” e tem como foco impedir que novos consumidores iniciem o hábito, em vez de apenas restringir o acesso temporariamente.

Endurecimento também atinge cigarros eletrônicos

A nova legislação não se limita ao cigarro tradicional. O texto também amplia o controle sobre os chamados vapes, que nos últimos anos passaram a ser vistos com mais cautela pelas autoridades de saúde.

O endurecimento ocorre após um período em que os cigarros eletrônicos chegaram a ser incentivados como alternativa para fumantes adultos. O aumento do uso entre jovens, no entanto, levou o governo a rever essa estratégia.

Parlementares esperam grande impacto na saúde pública

O tabagismo ainda é uma das principais causas evitáveis de morte no país. Dados do NHS (National Health Service) indicam que:

  • Cerca de 75 mil pessoas morrem por ano devido ao cigarro;
  • O hábito está ligado a aproximadamente 25% das mortes totais;
  • Os custos ao sistema de saúde são bilionários.

A expectativa do governo é que a nova política reduza significativamente o número de fumantes nas próximas décadas, diminuindo casos de câncer, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios.

Além disso, a medida busca aliviar, no longo prazo, a pressão sobre o sistema público de saúde, que enfrenta desafios crescentes com o envelhecimento da população.

Medidas também ampliam restrições em espaços públicos

A nova lei também traz regras mais rígidas sobre onde é permitido fumar. O governo passa a ter poderes para estender proibições já existentes para áreas externas sensíveis, como:

  • Parques infantis;
  • Entornos de escolas;
  • Áreas próximas a hospitais.

A proposta é reduzir a exposição ao fumo passivo e reforçar a ideia de que o tabagismo deve ser progressivamente excluído dos espaços coletivos.

Foto de capa: Unsplash


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