Mantimentos mexicanos doados para as vítimas dos terremotos na Venezuela nunca chegaram ao destino — rastreadores escondidos mostraram a verdade

No dia 25 de junho, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o país e deixaram mais de 5 mil mortos

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Integrantes do canal de YouTube Pepe&Chema Vlogs colocaram rastreadores em mantimentos doados a centros de arrecadação destinados às vítimas dos terremotos de 25 de junho na Venezuela. Quase duas semanas depois, o sinal dos dispositivos revelou que a ajuda nunca deixou o México e acabou em locais como a Central de Abasto da Cidade do México e até em residências particulares.

Entre os locais onde os youtubers entregaram os pacotes de doações estavam o centro de arrecadação do Estádio Olímpico Universitário e a prefeitura de Tlalpan. Os outros pontos foram a Cidade Judicial e um estabelecimento comercial pertencente a venezuelanos. Infelizmente, esse caso se soma a muitos outros, documentados em diferentes partes do mundo, nos quais a solidariedade das pessoas acaba sendo desviada de seu destino.

Um experimento para acompanhar o destino da ajuda humanitária

Junto com sua esposa, José Manuel Grajales, proprietário e apresentador do canal, encheu caixas com produtos comprados em um supermercado. Dentro delas, eles esconderam rastreadores Samsung Galaxy Smart Tag 2 em caixas de cereal.

Em seguida, levaram os mantimentos aos centros de arrecadação. No Estádio Olímpico, uma das pessoas responsáveis por receber as doações explicou que o envio era feito em coordenação com a Embaixada da Venezuela.

Segundo ela, o processo seria o seguinte: os produtos seriam enviados primeiro ao Campo Militar Número 1 e, depois, seguiriam de navio para o país sul-americano. Ela acrescentou que o transporte levaria alguns dias, embora não soubesse informar quantos. O canal não mostrou entrevistas com outros funcionários dos centros de arrecadação da prefeitura de Tlalpan, da Cidade Judicial nem do estabelecimento comercial.

Doacoes1 Imagem | Pepe&Chema Vlogs.

As doações nunca saíram da Cidade do México

A primeira caixa a emitir sinais de movimentação foi a do Estádio Olímpico. No entanto, apesar de o próprio vídeo mostrar que os mantimentos seriam enviados ao Campo Militar Número 1, o sinal levou a equipe até um depósito na Central de Abasto, onde, no momento da publicação do vídeo — quase duas semanas após a entrega —, a caixa continuava armazenada.

A segunda caixa, deixada na prefeitura de Tlalpan, passou a emitir sinais a partir de uma residência na Cidade do México, enquanto a da Cidade Judicial foi transportada por diferentes pontos da capital até uma concessionária de veículos em El Pedregal. Já a caixa deixada no estabelecimento pertencente a venezuelanos nunca saiu do local.

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Apenas 30% das doações chegam ao destino

Como parte da investigação, a equipe entrevistou uma pessoa que afirmou ter trabalhado em um centro de arrecadação. O entrevistado contou que, após o recebimento da ajuda, os responsáveis pela triagem separavam os itens mais valiosos e em melhor estado. Segundo ele, muitos dos produtos eram revendidos e apenas cerca de 30% das doações chegavam ao destino final.

Outro caso que expôs a questionável gestão das doações feitas de boa-fé no México foi o da jornalista Pamela Cerdeira, que, em 2023, colocou AirTags em produtos doados para as vítimas dos terremotos na Turquia. Um dos itens acabou em um mercado, enquanto o outro foi parar em um evento político realizado em uma escola.

Um ano depois, criadores de conteúdo revelaram que mantimentos doados para as vítimas do furacão Otis em uma unidade do SuperISSSTE, na Cidade do México, em novembro de 2023, permaneceram nos depósitos do supermercado por quase seis meses. Segundo o vídeo, o gerente explicou que, após dezembro, o governo deixou de fornecer apoio para realizar novos envios.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


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