A visita deveria ser um gesto de amizade e cooperação humanitária, mas acabou se transformando em uma dor de cabeça diplomática e militar. O Silk Road Ark, navio da Marinha da China de 180 metros e sete andares que atracou no Rio de Janeiro na última semana, levantou suspeitas imediatas entre as autoridades brasileiras por um motivo simples: sua tecnologia não condiz com sua missão oficial.
Oficialmente, a embarcação faz parte da "Missão Harmony 2025", voltada para ajuda humanitária. No entanto, fontes confirmaram que o navio gerou "desconforto" na Marinha e no Itamaraty ao exibir uma quantidade incomum de equipamentos de inteligência.
O que havia no navio (além de macas)
Ao contrário do que se espera de uma embarcação médica padrão, o Silk Road Ark chegou ao Brasil equipado com uma infraestrutura robusta de vigilância. Segundo apuração militar, a estrutura externa do navio ostenta diversos sensores, antenas e radares.
Para os especialistas, essa configuração transforma o suposto hospital flutuante em uma poderosa plataforma de reconhecimento, capaz de coletar dados estratégicos, tais como a infraestrutura portuária do Rio de Janeiro, características geográficas detalhadas do litoral brasileiro e rotas marítimas sensíveis.
Notícia importante!🎉
— Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro (@ConsulChinaRJ) January 9, 2026
O navio-hospital chinês Silk Road Ark, da Marinha do Exército Popular de Libertação da China 🇨🇳chegou ao Rio de Janeiro, em 8 de janeiro de 2026, e permanecerá atracado no Pier Mauá até o dia 15, oferecendo intercâmbio de conhecimentos, treinamentos… pic.twitter.com/48ISbB5vvm
Essa capacidade de uso duplo — servir como hospital e como espião — é o que acendeu o alerta vermelho. A ausência de transparência sobre esses equipamentos gerou apreensão, especialmente porque o Brasil não possui acordos bilaterais de cooperação militar com a China que justifiquem tal aparato em águas nacionais.
A suspeita de que a missão humanitária poderia ser uma fachada para coleta de dados ganhou força com um fato curioso: não houve atendimento médico.
Embora a China tenha solicitado a atracação em setembro de 2025, a Secretaria de Saúde do Estado confirmou que nenhum paciente foi tratado. O Pier Mauá, onde o navio ficou, foi categórico em nota: "Não há e não haverá atendimento médico humanitário no navio, tratando-se apenas de uma visita da delegação chinesa".
Por que isso importa agora?
O episódio ocorre em um momento de tensão geopolítica na América Latina. A China tem investido pesadamente em presença naval global, e o uso de navios civis ou humanitários para fins militares é uma tática que vem sendo observada com lupa pelo Ocidente, e agora, pelo Brasil. O navio deixou o Rio nesta quinta-feira (15).
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