Desconforto imediato: militares brasileiros identificam 'capacidade de vigilância' em navio chinês de 180 metros que ficou atracado no Rio de Janeiro

A visita deveria ser um gesto de amizade e cooperação humanitária, mas acabou se transformando em uma dor de cabeça diplomática e militar

Imagem: Embaixada da China
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
matheus-de-lucca

Matheus de Lucca

Editor-chefe
matheus-de-lucca

Matheus de Lucca

Editor-chefe

Editor-chefe do Xataka Brasil. Jornalista há 10 anos, entusiasta de tecnologia, principalmente da área de computação e componentes de PC. Saudosista da época em que em vez de um celular fazer tudo que se possa imaginar, tínhamos MP3, alarme e relógio.

47 publicaciones de Matheus de Lucca

A visita deveria ser um gesto de amizade e cooperação humanitária, mas acabou se transformando em uma dor de cabeça diplomática e militar. O Silk Road Ark, navio da Marinha da China de 180 metros e sete andares que atracou no Rio de Janeiro na última semana, levantou suspeitas imediatas entre as autoridades brasileiras por um motivo simples: sua tecnologia não condiz com sua missão oficial.

Oficialmente, a embarcação faz parte da "Missão Harmony 2025", voltada para ajuda humanitária. No entanto, fontes confirmaram que o navio gerou "desconforto" na Marinha e no Itamaraty ao exibir uma quantidade incomum de equipamentos de inteligência.

O que havia no navio (além de macas)

Ao contrário do que se espera de uma embarcação médica padrão, o Silk Road Ark chegou ao Brasil equipado com uma infraestrutura robusta de vigilância. Segundo apuração militar, a estrutura externa do navio ostenta diversos sensores, antenas e radares.

Para os especialistas, essa configuração transforma o suposto hospital flutuante em uma poderosa plataforma de reconhecimento, capaz de coletar dados estratégicos, tais como a infraestrutura portuária do Rio de Janeiro, características geográficas detalhadas do litoral brasileiro e rotas marítimas sensíveis.

Essa capacidade de uso duplo — servir como hospital e como espião — é o que acendeu o alerta vermelho. A ausência de transparência sobre esses equipamentos gerou apreensão, especialmente porque o Brasil não possui acordos bilaterais de cooperação militar com a China que justifiquem tal aparato em águas nacionais.

A suspeita de que a missão humanitária poderia ser uma fachada para coleta de dados ganhou força com um fato curioso: não houve atendimento médico.

Embora a China tenha solicitado a atracação em setembro de 2025, a Secretaria de Saúde do Estado confirmou que nenhum paciente foi tratado. O Pier Mauá, onde o navio ficou, foi categórico em nota: "Não há e não haverá atendimento médico humanitário no navio, tratando-se apenas de uma visita da delegação chinesa".

Por que isso importa agora?

O episódio ocorre em um momento de tensão geopolítica na América Latina. A China tem investido pesadamente em presença naval global, e o uso de navios civis ou humanitários para fins militares é uma tática que vem sendo observada com lupa pelo Ocidente, e agora, pelo Brasil. O navio deixou o Rio nesta quinta-feira (15).

Inicio