A Ucrânia aguçou o engenho contra os drones russos e criou um dispositivo para ver o que eles veem em tempo real

O D-Vision SDR pesa pouco mais que um smartphone e tem um alcance de até 10 quilômetros

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Bárbara Castro

Redatora

Uma startup de Kiev desenvolveu um receptor portátil que permite às tropas ucranianas ver exatamente o que um drone russo vê, ao vivo, enquanto a aeronave ainda está no ar. O dispositivo se chama D-Vision SDR e pesa pouco mais que um smartphone comum.

Muitos drones russos transmitem o sinal de vídeo de suas câmeras sem qualquer criptografia, o que possibilita que qualquer pessoa com o receptor adequado sintonize a transmissão. Com esse pequeno equipamento, criado pela fabricante CODE380, uma unidade militar ucraniana consegue identificar com facilidade para onde um drone de ataque está indo e para onde o operador inimigo está mirando antes do impacto — uma vantagem decisiva para buscar abrigo ou reposicionar armamentos.

Como aponta o portal Defense News, o D-Vision SDR é um rádio definido por software (SDR), o que significa que o processamento do sinal é feito essencialmente via software, em vez de depender de componentes físicos fixos. De acordo com o veículo, o aparelho faz uma varredura contínua de frequências entre 500 megahertz e 8,7 gigahertz, convertendo os sinais captados diretamente em vídeo na tela.

Os desenvolvedores afirmaram ao portal ucraniano DOU que o sistema escaneia toda essa faixa sem pontos cegos, oferecendo maior sensibilidade do que os detectores concorrentes. Como o núcleo do processamento está no software, o equipamento pode ser atualizado com facilidade sempre que as forças russas alterarem as frequências de seus drones.

Segundo o site Militarnyi, o alcance de recepção chega a até 10 quilômetros para sinais de vídeo analógico em faixas de 540 megahertz a 6 gigahertz. Em frequências mais altas, essa distância cai para uma faixa entre 3,5 e 5 quilômetros. Além disso, o dispositivo opera de forma 100% passiva: ele apenas recebe os dados e não emite nenhuma onda de rádio, o que impede que sua posição seja descoberta.

O Defense News descreve o aparelho como parte de um ecossistema crescente de sensores ucranianos acessíveis e passivos, criados para trabalhar de forma complementar com radares, sistemas acústicos e baterias de interceptação.

Pesando cerca de 290 gramas, o D-Vision SDR tem menos da metade do peso dos seus principais concorrentes ucranianos, como destaca o Defense News. Ele é muito mais leve que rivais como o Vydun 7.5 da Babai (cerca de 900 gramas e alcance de até 7,5 gigahertz), o SENSE-4 da Contra-drone (600 gramas e até 8,2 gigahertz) ou o Chuyka 3.0 da BlueBird Tech (cerca de 650 gramas e atualizável para até 8,8 gigahertz).

A varredura cobre a banda de 4,1 a 4,5 gigahertz, intervalo que os drones de ataque russos Molniya começaram a utilizar para transmissão de vídeo em junho. Serhii "Flash" Beskrestnov, especialista em guerra eletrônica e consultor militar ucraniano, explicou no Facebook em junho que a maioria dos detectores em campo "não enxerga essas frequências ou as detecta com falhas", reforçando que confiar cegamente em um detector inadequado pode custar a vida dos combatentes.

Beskrestnov alerta que o avanço do vídeo digital pode gradualmente substituir as transmissões analógicas, tornando obsoletos receptores portáteis e estações de escuta fixas. Os fluxos digitais são substancialmente mais difíceis de decodificar sem as chaves certas. Além disso, drones guiados por fibra óptica — que se comunicam por meio de um fio físico desenrolado no voo — não emitem nenhum sinal pelo ar que possa ser interceptado.

O Defense News acrescenta que a Rússia já trabalha no desenvolvimento de variantes com transmissões de vídeo muito mais difíceis de hackear, apontando novas versões do Molniya. Paralelamente, o The New York Times revelou em agosto que algumas unidades do drone contam com navegação autônoma por inteligência artificial e chips da Nvidia, dispensando qualquer emissão de sinal de rádio.

Matéria traduzida de Xataka*

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