Chega de bets: saiba como usar a ferramenta do governo para bloquear sites de apostas

Plataforma gratuita impede o acesso a casas de apostas legalizadas, bloqueia novos cadastros e interrompe o envio de propagandas

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Natália P. Martins

Redatora

O Governo Federal lançou uma ferramenta para interromper o acesso às apostas esportivas e cassinos online. A Plataforma Centralizada de Autoexclusão permite que o usuário faça o bloqueio do próprio CPF em todas as empresas de apostas autorizadas no país com um único pedido.

Depois da solicitação, as plataformas deixam de permitir novos acessos, impedem a criação de novas contas e interrompem o envio de ofertas e propagandas relacionadas às apostas.

Segundo uma pesquisa do Datafolha, realizada em maio de 2026, 11% dos homens afirmam apostar em bets ou cassinos online, contra 3% das mulheres. Entre jovens de 18 a 24 anos, esse percentual sobe para 13%.

Bloqueio das bets é voluntário e pode ser feito em casa

A ferramenta é gratuita e está disponível para qualquer pessoa que queira se impedir de acessar casas de apostas autorizadas pelo governo. O pedido é voluntário e deve ser feito pelo próprio titular do CPF no site oficial da Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda. Depois da solicitação, todas as empresas licenciadas são notificadas e têm até 72 horas para aplicar o bloqueio.

Vale lembrar que o sistema vale apenas para empresas autorizadas a operar no Brasil. Sites ilegais, que funcionam sem licença, não são obrigados a cumprir a medida.

Como bloquear sites de apostas pelo Gov.br

O procedimento leva apenas alguns minutos.

1. Acesse a plataforma oficial

Entre na página da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, disponível no portal Gov.br.

2. Faça login com sua conta Gov.br

Será necessário entrar utilizando uma conta Gov.br nível Prata ou Ouro, que possui mecanismos adicionais de verificação de identidade.

3. Escolha o período de bloqueio

O usuário pode optar por diferentes prazos, variando de 1 mês a tempo indeterminado. 

É importante prestar atenção nessa etapa: durante o período escolhido, o bloqueio não pode ser cancelado antes do prazo terminar.

4. Informe o motivo (opcional)

A plataforma pergunta o motivo da autoexclusão. Entre as opções, estão a decisão voluntária, dificuldades financeiras, questões de saúde mental e recomendação médica.

Também é possível optar por não informar nenhuma justificativa.

5. Confirme a solicitação

Depois de aceitar os termos de uso e conferir os dados pessoais, basta confirmar o pedido.

Ao final, o sistema gera um comprovante da solicitação.

O que acontece depois que o CPF é bloqueado?

Após a confirmação, a Secretaria de Prêmios e Apostas comunica todas as casas de apostas autorizadas. Em até 72 horas, passam a valer as seguintes restrições:

  • Todas as contas existentes ficam bloqueadas;
  • O CPF bloqueado não pode criar novos cadastros nas plataformas licenciadas;
  • Deixam de ser enviados SMS, e-mails e outras promoções relacionadas às apostas.

Mais de meio milhão de brasileiros já pediram o bloqueio das bets

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão já foi utilizada por mais de 574 mil pessoas desde que entrou em funcionamento, em dezembro de 2025. Dados do Ministério da Fazenda mostram que o principal motivo para a autoexclusão vai além das perdas financeiras. 

Entre os usuários cadastrados, 207 mil pessoas — o equivalente a 41% do total — afirmaram que decidiram se bloquear por causa da perda de controle sobre o jogo e dos impactos na saúde mental.

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Quem quer parar de apostar também pode buscar ajuda pelo Meu SUS Digital

Além da ferramenta de Autoexclusão, o Governo Federal disponibiliza atendimento gratuito para pessoas que enfrentam problemas relacionados ao vício em apostas. A iniciativa faz parte das ações do Ministério da Saúde para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental diante do crescimento das apostas online no país. 

O serviço pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, que oferece teleatendimento em saúde mental para orientar usuários e encaminhá-los, quando necessário, para acompanhamento especializado na rede pública de saúde.

Imagens: Shutterstock

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