Alimentação, treinos, equipamentos de ponta e ajustes milimétricos: no esporte de alto rendimento, tudo conta, até mesmo o tamanho do pênis. A pouco mais de um mês dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, atletas do salto com esqui passaram a ser alvo de uma acusação grave, mas também inusitada. Segundo uma reportagem do jornal alemão Bild, alguns competidores estariam injetando ácido hialurônico nos genitais antes das medições oficiais. O objetivo não teria relação estética, mas uma possível vantagem competitiva.
Entenda por que tamanho do “documento” interfere no desempenho no salto de esqui
No primeiro momento, a acusação parece absurda. Mas, no salto com esqui, o corpo do atleta não é apenas um detalhe anatômico, ele faz parte direta da equação do desempenho. Diferentemente de outros esportes, os saltadores não apenas “saltam” no ar, mas se comportam como se fossem planadores, aeronaves sem motor que voam aproveitando correntes de ar para ganhar altitude. A estabilidade e a sustentação durante o voo dependem, entre outros fatores, da área de superfície do macacão, um item que é rigorosamente regulamentado pela Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS).
No início de cada temporada, os atletas passam por um escaneamento em 3D que define as dimensões permitidas do traje. Um dos pontos de referência usados nessa medição é o ponto mais baixo da região genital. Quanto mais abaixo esse ponto estiver, maior pode ser a área total do macacão. Na prática, isso funciona como uma asa ligeiramente maior, capaz de aumentar a sustentação aerodinâmica e reduzir a velocidade de descida durante o voo. Por isso, ao alterar artificialmente essa referência corporal antes do escaneamento, o atleta poderia ganhar milímetros extras no traje e, consequentemente, pontos extras na competição.
Suspeitas de trapaça e métodos inusitados provocam reação da federação internacional
Se o impacto aerodinâmico de alguns milímetros extras é o motivo da acusação, o que veio à tona nos bastidores do esporte elevou a polêmica a outro nível. De acordo com reportagens da imprensa alemã, há suspeitas de que alguns saltadores estariam injetando ácido hialurônico no pênis para deslocar o ponto de medição durante o escaneamento oficial. Antes disso, métodos menos sofisticados já teriam sido usados, como o enchimento da região da virilha ou até o uso de preservativos de silicone para manipular o resultado.
Diante das denúncias, a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) afirma estar ciente da situação, mas, por enquanto, descarta a realização de novas medições imediatas. A entidade estuda alternativas para tornar o processo mais preciso, incluindo a possibilidade de calcular o comprimento da passada com base na estrutura óssea do atleta, desconsiderando tecidos moles, uma mudança que ainda pode ser implementada antes dos Jogos Olímpicos de Inverno na Itália, que começam no dia 6 de fevereiro.
Nos últimos meses, atletas e equipes já foram punidos por modificações ilegais em trajes, e competidores chegaram a ser excluídos de torneios por não estarem em conformidade com as regras de vestimenta. É o caso do saltador esloveno, Timi Zajc, excluído devido ao traje curto demais. Além dele, outros cinco saltadores da Noruega e três membros da equipe foram suspensos por modificarem a costura do traje de vestimenta.
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