Achávamos que os vírus letais estavam trancados a sete chaves até polícia revelar o sumiço de um vírus perigoso no maior laboratório de segurança do Brasil

Sumiço de material biológico em laboratório de alta segurança acende alerta, termina com amostras recuperadas e professora investigada

Perigo Biologico
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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É comum nos depararmos com a notícia de que algum conhecido teve seus pertences roubados ou furtados, como celular, carteira e carro. Mas e quando o que desaparece não é um bem comum, e sim um vírus potencialmente perigoso? Por mais inacreditável que pareça, isso realmente aconteceu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo. 

Desde 13 de fevereiro, amostras virais sumiram de um laboratório de alta segurança, levantando preocupações imediatas sobre os riscos à saúde pública e o que poderia acontecer caso esse material fosse usado de forma indevida. O caso só veio à tona após a própria universidade identificar o desaparecimento e acionar a polícia. Semanas depois, a investigação da Polícia Federal do Brasil trouxe uma reviravolta: as amostras foram encontradas dentro da própria instituição, e uma pesquisadora passou a ser apontada como principal suspeita pelo furto.

Vírus altamente letal é furtado de dentro do laboratório da Unicamp

Perder um vírus altamente letal representa um risco gigantesco para a comunidade. Por isso, é natural se questionar sobre como esse agente infeccioso estava armazenado. Será que ele realmente estava em um lugar seguro, longe do acesso de qualquer um? As amostras estavam armazenadas em um laboratório com nível 3 de biossegurança (NB-3), uma instalação de alta contenção projetada para manusear agentes infecciosos sérios ou letais. Esse tipo de ambiente segue protocolos rigorosos justamente por lidar com microrganismos que apresentam alto risco para o indivíduo e potencial de disseminação.

O desaparecimento foi registrado no dia 13 de fevereiro, quando caixas com material viral sumiram do laboratório de virologia do Instituto de Biologia. Após semanas de investigação, a Polícia Federal encontrou as amostras em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, dentro da própria Unicamp.

Segundo a polícia, o material foi armazenado e parcialmente descartado de forma inadequada, em uma lixeira comum dentro do laboratório e fora dos protocolos exigidos. Vale lembrar que a manipulação incorreta de vírus em ambientes não controlados pode representar risco direto à saúde de outras pessoas, por isso, os pesquisadores ficaram preocupados com uma possível contaminação.

Principal acusada do crime é uma pesquisadora da própria universidade

Pesquisadora Unicamp Soledad Palameta Miller é pesquisadora da Unicamp e está sendo investigada pelo furto dos vírus

A principal suspeita do caso é a professora doutora Soledad Palameta Miller, que foi presa em flagrante após a localização das amostras. De acordo com a investigação, ela teria acessado os laboratórios com a ajuda de outras pessoas e transportado o material sem autorização. A docente vai responder pelos seguintes crimes:

  • Exposição da vida e da saúde de terceiros a perigo
  • Transporte irregular de organismo geneticamente modificado 
  • Fraude processual

Apesar disso, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória, considerando que ela é ré primária, possui residência fixa, é mãe de duas crianças pequenas e não houve uso de violência. A defesa afirma que não houve furto e que a pesquisadora utilizava os laboratórios por não ter estrutura própria. Enquanto isso, o caso segue em investigação, inclusive com apuração sobre a possível participação de outras pessoas, como o marido da investigada.



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