A onda de calor extrema que atinge o Japão está levando empresas a criarem soluções cada vez mais inusitadas para aliviar as altas temperaturas. Há alguns meses, o país lançou um ar-condicionado vestível. Mas agora, a aposta foi ainda mais longe: duas empresas japonesas desenvolveram uma cabine refrigerada para humanos. Batizada de Do Hiemon Box, ela funciona como se fosse "geladeira humana" e promete reduzir o estresse térmico em poucos minutos. A novidade chega em um momento em que o Japão enfrenta um dos verões mais quentes da história, marcado por temperaturas extremas e um número crescente de casos de insolação.
Do Hiemon Box: parece uma geladeira gigante, mas foi criada para refrescar pessoas
Cabine é feita de aço inoxidável e pensada para uma pessoa
Se você estiver andando pelas ruas do Japão e encontrar alguém sentado dentro de um "frigorífico", pode ficar tranquilo: ninguém foi parar ali à força. Na verdade, é bem provável que ela só esteja tentando escapar do calor em uma geladeira gigante. Batizada de Do Hiemon Box, a cabine foi desenvolvida pela SDRS em parceria com a Trusco Nakayama. Feita de aço inoxidável e projetada para acomodar uma pessoa por vez, ela funciona como uma cabine refrigerada capaz de reduzir rapidamente a temperatura corporal.
Quanto ao funcionamento, não tem muito mistério. Assim que a pessoa entra na cabine, jatos de ar frio são direcionados para regiões estratégicas do corpo, como cabeça, pescoço, ombros e costas. O sistema oferece três níveis de intensidade e pode atingir temperaturas próximas de 5 °C nas saídas de ar, enquanto o interior da cabine permanece em torno de 15 °C, criando um ambiente ideal para aliviar rapidamente o calor. Segundo os fabricantes, cerca de cinco minutos já são suficientes para iniciar o resfriamento do corpo, embora cada sessão possa durar até 20 minutos. Depois desse período, o equipamento é desligado automaticamente.
A cabine também foi projetada para ser prática. Com aproximadamente 2,13 metros de altura, rodas para transporte e alimentação de energia por uma tomada convencional, ela pode ser levada para canteiros de obras, fábricas ou eventos ao ar livre, locais onde as pessoas costumam passar horas sob temperaturas elevadas. No entanto, existe um pequeno detalhe: o equipamento não é nada barato. Cada unidade custa cerca de 1,5 milhão de ienes, aproximadamente 50 mil reais, mas os fabricantes afirmam que seu consumo de energia é inferior ao de muitos aparelhos de ar-condicionado portáteis.
Por que o Japão está enfrentando um calor tão extremo?
Você deve estar se perguntando: de onde surgiu a ideia de criar uma geladeira humana? A resposta é simples: a necessidade. O Japão vive uma sequência de verões cada vez mais intensos, marcada por ondas de calor prolongadas e recordes de temperatura. Um dos principais motivos é a combinação entre mudanças climáticas e bloqueios atmosféricos. Grandes áreas de alta pressão permanecem estagnadas sobre a região por vários dias ou até semanas, impedindo a chegada de massas de ar frio e mantendo o calor praticamente preso sobre o país.
Ao mesmo tempo, o aquecimento global elevou a temperatura média do planeta, tornando essas ondas de calor mais frequentes, longas e intensas. Os oceanos mais quentes também contribuem para aumentar a umidade do ar, elevando a sensação térmica e dificultando o resfriamento do corpo, principalmente durante a noite.
Como consequência, os impactos já estão sendo sentidos na pele. Nos últimos dias, o Japão registrou uma sequência inédita de dias com temperaturas extremas acima de 40°C. Em Tóquio, centenas de pessoas precisaram ser hospitalizadas em apenas 24 horas por causa da insolação, enquanto outras morreram em diferentes regiões do país. Não por acaso, meteorologistas japoneses chegaram a adotar um novo termo para descrever esse cenário: kokushobi, expressão utilizada quando os termômetros atingem 40 °C ou mais.
Diante disso, os japoneses têm pensado em soluções cada vez mais inusitadas para amenizar os efeitos do calor, como a Do Hiemon Box. E como inovação e tecnologia fazem parte do DNA do país, é claro que a solução seria tão inusitada quanto futurista: uma geladeira para seres humanos.
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