Você olha para o termômetro e pensa: 35°C são 35°C em qualquer lugar do mundo. Mas não é bem assim. Embora a temperatura possa ser a mesma, uma onda de calor na Europa costuma ser muito mais difícil de suportar do que no Brasil — e a explicação envolve desde a posição geográfica do continente até a forma como as cidades foram construídas.
Dias mais longos fazem cidades acumularem calor
Uma das primeiras diferenças entre as sensações de temperatura entre o Brasil e a Europa está na posição geográfica dos continentes. Durante o verão do Hemisfério Norte, cidades localizadas em latitudes mais elevadas recebem muito mais horas de luz solar do que grande parte do Brasil.
Em Berlim, por exemplo, próximo ao solstício de junho, o Sol nasce pouco antes das 5h e só se põe por volta das 21h30. São cerca de 16 horas e meia de luz.
Enquanto isso, durante o verão brasileiro, os dias costumam ter aproximadamente 13 horas de claridade.
Isso significa que, na Europa, ruas, edifícios, calçadas e telhados permanecem expostos ao Sol por muito mais tempo, acumulando calor durante a maior parte do dia.
Quando a noite chega, muitas vezes não há tempo suficiente para que toda essa energia seja dissipada antes do dia seguinte.
Construções europeias foram feitas para conservar calor
Durante décadas, os países europeus precisaram desenvolver edifícios capazes de enfrentar invernos rigorosos. Por isso, muitas construções possuem paredes espessas, isolamento térmico, janelas duplas e materiais projetados para impedir que o calor interno escape.
Apesar de ser um tipo de arquitetura muito eficiente para o frio europeu, durante uma onda de calor, porém, acaba acontecendo um efeito contrário: o calor acumulado dentro dos imóveis demora muito mais para sair.
Depois de vários dias consecutivos de temperaturas elevadas, apartamentos e casas podem permanecer extremamente quentes, inclusive durante a madrugada.
Sensação de calor depende de muito mais do que a temperatura
A sensação térmica resulta da combinação entre temperatura, umidade, radiação solar, velocidade do vento e capacidade do organismo de dissipar calor por meio da transpiração.
Quando esse mecanismo deixa de funcionar adequadamente, o corpo pode aquecer rapidamente, aumentando o risco de desidratação, exaustão pelo calor e, nos casos mais graves, falência de órgãos.
Termômetro registra 38°C durante uma onda de calor severa em Budapeste, na Hungria. Foto: Shutterstock
Além disso, o calor intenso acumulado durante vários dias consecutivos impede que o organismo se recupere durante a noite, aumentando ainda mais o estresse térmico.
Segundo estimativas divulgadas por pesquisadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, mais de 10 mil mortes podem estar associadas ao episódio extremo de calor registrado em junho deste ano em diversos países europeus.
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