Um comentário de Sam Altman no podcast Cheeky Pint foi o centro da polêmica no último fim de semana. Ele classificou a situação em que usuários possuem computadores para rodar modelos de IA localmente como algo "bastante terrível", levando em conta que, segundo ele, a memória é utilizada apenas 5% do tempo. Isso gerou críticas ao CEO da OpenAI, mas também rendeu memes bastante engraçados.
Agora, ele veio a público no Twitter para defender seu ponto de vista — e, claro, a culpa é nossa, porque "é uma droga que isso tenha sido tirado de contexto".
Vamos recapitular
Embora já tenhamos abordado o assunto quando o chefão da OpenAI comentou o tema no podcast, vale a pena rever exatamente o que ele disse, para garantir que todos estejam na mesma página:
"A inferência local é uma péssima alocação de recursos escassos. Muita gente quer inferência local e, de certa forma, assume que o problema está resolvido porque existem modelos de código aberto que podemos rodar em nossos próprios computadores — dispensando, assim, toda a infraestrutura oferecida pelos data centers.
Mas, sob a ótica da alocação global, é realmente terrível que cada pessoa tenha seu próprio computador com uma memória DRAM que é usada apenas 5% do tempo, especialmente em um momento em que esse recurso é tão limitado.
Em um cenário onde esse insumo crítico é tão escasso, o ideal seria a máxima concentração na nuvem. Mas, curiosamente, as pessoas pensam exatamente o contrário."
"Ram Altman"
No podcast, ele abordou outros tópicos — como a dificuldade das empresas que monopolizam a produção de memória em ampliar essa capacidade —, mas foi a declaração mencionada acima que agitou as redes sociais e inspirou memes hilários. O próprio Elon Musk — talvez dizendo uma das coisas mais sensatas que proferiu ultimamente — comentou: "as pessoas merecem ter sua própria memória RAM".
Altman respondeu a um desses memes, e outro usuário sugeriu que ele mudasse seu nome para "Ram Altman" — sugestão que ele acatou por algumas horas.
Não entendemos bem
No entanto, em vez de deixar o assunto passar, ele voltou a mencionar seu comentário no podcast, acrescentando o seguinte:
"Na verdade, eu quero, sim, que o mundo tenha quantidades enormes de memória e que as pessoas coloquem o quanto quiserem em seus computadores. É muito irritante que isso tenha sido tirado de contexto.
Há muito tempo defendo que o mundo deveria aumentar a produção de memória."
É um "sim, mas não". Ou seja, Altman argumenta que, como a oferta de DRAM é extremamente limitada, seria mais sensato concentrar seu uso na nuvem, onde o hardware opera quase sem interrupções. Mas, apesar do esclarecimento feito há algumas horas no Twitter, o próprio podcast registra a frase: "é terrível que todo mundo tenha seu próprio computador com uma DRAM que é utilizada apenas 5% do tempo, justamente em um momento em que esse recurso é tão escasso". Não é que tenha sido tirado de contexto.
Pelo menos agora Altman aponta para o lugar certo: para os fabricantes dessa memória RAM e para o motivo pelo qual ela se tornou um recurso crítico. Nesse ponto, a própria empresa dele tem grande parte da culpa — não apenas pelo fato de os usuários não conseguirem mais adquirir memória RAM ou armazenamento a um preço acessível, mas também por dificultar a compra de qualquer produto de consumo que contenha esses componentes.
Afinal, talvez sejamos nós que tenhamos bons motivos para reclamar, já que um pequeno grupo parece ter se apropriado de toda a memória RAM disponível até... 2030. Se tivermos sorte.
Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha
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