A NASA fez de tudo para resgatar o Observatório Neil Gehrels Swift de uma queda inevitável. Em julho passado, após constatar que a reentrada do observatório espacial estava prestes a acontecer, a agência lançou a missão Link com o objetivo de capturar o telescópio e manobrá-lo até uma órbita mais estável. Infelizmente, a nave encarregada da tarefa sofreu uma série de falhas técnicas e retornou à Terra sem atingir seu objetivo. Com isso, o desfecho temido se confirmou: o Swift acabou caindo na Terra sem que pudesse ser salvo. A queda ocorreu nesta quarta-feira, 4 de novembro, sobre a região de Sumatra e, felizmente, sem relatos de vítimas ou danos estruturais.
Crônica de uma queda anunciada
O risco de o Swift cair na Terra antes do término deste ano ultrapassava 90%, e a previsão se confirmou. O retorno ocorreu de forma descontrolada: não havia como prever o ponto exato da queda com precisão, embora a NASA tenha reforçado pedidos de tranquilidade, garantindo que grande parte da estrutura do observatório se desintegraria ao cruzar a atmosfera terrestre. Nos últimos dias de monitoramento, estimava-se que o impacto pudesse ocorrer em alguma faixa próxima à linha do Equador. Por fim, foi a Força Espacial dos Estados Unidos que confirmou a localização definitiva. O satélite reentrou na atmosfera em 4 de novembro, às 12:39 GMT, exatamente sobre a ilha de Sumatra.
O alerta oficial se concentrou na reentrada atmosférica. Ainda não há confirmação sobre onde eventuais fragmentos teriam atingido a superfície, caso tenham resistido. A expectativa é de que a maior parte da estrutura tenha se queimado por completo. Alguns veículos de imprensa chegaram a mencionar fragmentos que tocaram o solo sem causar estragos, mas a NASA ainda não emitiu nenhuma declaração oficial a respeito. Os cálculos feitos antes do regresso do Swift apontavam para um risco de 1 em 2.100 de algum estilhaço atingir uma pessoa. Sem ocorrências reportadas até agora, o cenário mais provável é de que o evento tenha transcorrido sem incidentes.
Mais de duas décadas de ciência de ponta
Projetado originalmente para operar por apenas 2 anos, o Swift — com seus 1.450 kg e dimensões semelhantes às de um micro-ônibus — superou todas as expectativas. Ao longo de 22 anos no espaço, produziu dados científicos valiosos, destacando-se como uma das principais ferramentas da astronomia para a detecção e o estudo de erupções de raios gama.
Quando o arrasto atmosférico, intensificado pelo aumento da atividade solar, começou a desacelerar e rebaixar a órbita do equipamento, os engenheiros da agência decidiram desativar alguns de seus instrumentos para reduzir o atrito e mantê-lo no espaço por mais tempo. O plano teria tido sucesso se a missão de socorro Link tivesse concluído sua manobra, o que infelizmente não ocorreu.
Falha na propulsão selou o destino da missão
Poucas semanas após o lançamento, a espaçonave Link começou a girar sem controle devido a dois problemas graves: uma falha nas rodas de reação e outra no sistema de propulsão a gás frio. A equipe da NASA tentou retomar o comando do veículo, mas não obteve êxito. A sonda acabou regressando à Terra sem que houvesse tempo viável para preparar uma nova tentativa de resgate. Diante desse quadro, a agência espacial decidiu reativar os instrumentos científicos do observatório e extrair dele o máximo de dados possível até o último minuto — um adeus definitivo que se concretizou com sua reentrada forçada neste mês de novembro de 2026.
Matéria traduzida de Xataka*
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