A cidade disse "nunca mais": o erro que transformou um comercial da Sony em uma zona de guerra de R$ 400 mil em prejuízos

Comercial da Sony causou danos materiais a população, mas entrou para a história como um dos melhores já produzidos 

Bolinhas descendo pela rua. Créditos: Courtesy of Bret Lama
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

Redatora

Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Já imaginou caminhar tranquilamente por uma rua e ser atingido por uma avalanche de bolinhas coloridas? Pois algo bem semelhante aconteceu em São Francisco, na Califórnia, em julho de 2005, quando a Sony lançou 250 mil bolas de borracha pelas ladeiras da cidade para gravar um comercial. A ideia era promover o lançamento das televisões Sony Bravia, marcadas por suas cores vibrantes, mas o resultado trouxe mais dor de cabeça do que a produção imaginava. Isso porque a ação não saiu exatamente como o planejado: as bolinhas quebraram as janelas de carros e casas, causando um verdadeiro caos na vizinhança e um prejuízo de R$400 mil para a Sony. 

Bolinhas de borracha usadas em comercial danificaram casas e carros da vizinhança 

Publicidade e criatividade andam praticamente lado a lado. E foi numa dessas ideias criativas que surgiu a ideia de lançar 250 mil bolinhas pelas ruas de São Francisco para um comercial da Sony. O conceito era mostrar as cores vibrantes de cada bolinha de forma natural, sem truques digitais e efeitos especiais. Para isso, a agência britânica Fallon e o diretor Nicolai Fuglsig decidiram usar bolas pula-pula, originalmente feita do polímero sintético Zectron, descendo as ruas íngremes de São Francisco. Mas o que parecia uma ideia super criativa, acabou criando um caos na cidade.

Bolinhas sendo lançadas na rua. Créditos: Courtesy of Bret Lama As bolinhas danificaram janelas, carros e vegetação. Créditos: Courtesy of Bret Lama

Para tirar a ideia do papel, a equipe precisou comprar 250 mil bolinhas do estilo pula-pula,  além de canhões improvisados montados em caminhões para lançá-las. Cada disparo do canhão liberava cerca de 25 mil bolas a velocidades que podiam ultrapassar 100 km/h. O resultado foi um espetáculo visual impressionante, mas que também foi destruidor: as bolinhas bateram contra casas, invadiram jardins, quebraram janelas e atingiram carros estacionados, causando um prejuízo gigante para a marca. 

Gravação do comercial deu mais problema do que a equipe imaginava

Não precisa ser nenhum Einstein para imaginar que lançar bolinhas de borracha que quicam podem provocar destruição. A produção também já previa possíveis acidentes, mas não imaginavam que geraria um prejuízo milionário. Para viabilizar a gravação, eles precisaram convencer autoridades e moradores de que qualquer dano seria reparado, uma promessa que acabou custando caro. Só em vidros quebrados, a conta passou de US$70 mil. Seis casas foram danificadas, dezenas de veículos da própria equipe ficaram amassados e a vegetação local também foi atingida. 

Já em relação ao barulho, parecia até uma tempestade de granizo. Técnicos usavam capacetes, coletes e escudos antimotim para se proteger. Mesmo com redes, tampas de bueiro e planos de contenção, as bolas foram parar a quilômetros de distância, aparecendo dias depois em vários lugares, como calhas e sarjetas. Por isso, após os primeiros dias de gravação, a prefeitura proibiu o uso dos canhões, forçando a produção a improvisar métodos menos agressivos para concluir as cenas.

Apesar do caos, o comercial da Sony estreou em novembro de 2005 e se tornou um fenômeno. A campanha ajudou a Sony a recuperar a liderança no mercado de TVs LCD e entrou para as listas de melhores comerciais de todos os tempos. 


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