Um dos achados arqueológicos mais significativos da história está forçando a comunidade científica a redesenhar a árvore genealógica da humanidade. O esqueleto apelidado de "Pé Pequeno" (Little Foot), descoberto na África do Sul, pode não pertencer a nenhuma espécie conhecida de Australopithecus, representando, na verdade, um ramo inédito de nossos ancestrais.
A descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade La Trobe (Austrália) e da Universidade de Cambridge, questiona décadas de suposições sobre a diversidade humana primitiva no sul da África, entre 3 milhões e 1,95 milhão de anos atrás.
Por que o "Pé Pequeno" é tão especial?
Formalmente catalogado como StW 573, o Pé Pequeno é o esqueleto de hominídeo antigo mais completo já encontrado na história da paleoantropologia. Sua escavação nas cavernas de Sterkfontein levou 20 anos de trabalho meticuloso devido à fragilidade dos ossos incrustados em rocha sólida.
Inicialmente, acreditava-se que ele pertencia a espécies já catalogadas, como o Australopithecus africanus ou o Australopithecus prometheus. No entanto, a nova análise publicada no American Journal of Biological Anthropology (link no primeiro parágrafo) revela que o fóssil possui uma combinação única de características físicas que não se encaixa em nenhum desses grupos.
Reformulando a árvore genealógica
A pesquisa sugere que a diversidade de hominídeos na África era muito maior do que se imaginava. O Dr. Jesse Martin, líder do estudo, afirma que é "comprovadamente improvável" que o Pé Pequeno pertença às espécies anteriormente citadas.
A nova interpretação afirma que diferentes tipos de hominídeos compartilhavam a mesma região simultaneamente, adaptando-se de formas variadas ao ambiente e também destaca a necessidade de revisar como classificamos fósseis antigos, evitando agrupar espécimes distintos apenas por conveniência.
O nome A. prometheus foi dado originalmente sob a crença errônea de que esses ancestrais dominavam o fogo; a nova análise ajuda a limpar esses conceitos datados da ciência.
O trabalho agora continua para dar um nome oficial a esta nova espécie e entender exatamente como esse "parente perdido" se conecta ao surgimento do gênero Homo, ao qual nós pertencemos.
Ver 0 Comentários