Quantas vozes têm na sua cabeça? Existem pessoas que não tem nenhuma e vivem em completa paz

A condição se chama anendofasia

Mente
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Como é a sua mente? Para grande parte da população, a mente é um rádio que nunca desliga, narrando listas de tarefas, ensaiando discussões ou comentando o dia a dia. No entanto, a ciência tem voltado os olhos para indivíduos que possuem uma ausência de monólogo interno, vivendo em um estado de silêncio verbal que muitos considerariam impossível.

Imagine que sua consciência funciona como um terminal de texto: os pensamentos surgem como ideias puras, conceitos ou imagens, mas nunca como palavras audíveis. Pessoas assim existem e é provável que elas tenham mais paz do que você (ou pelo menos aquelas pessoas com uma multidão na cabeça).

A mente sem narrador

Essa condição, frequentemente discutida sob o termo anendofasia, descreve pessoas que não "ouvem" uma voz interior processando pensamentos. Para esses indivíduos, o pensamento é não-verbal. Se precisam planejar o café da manhã, eles não dizem mentalmente "vou fritar um ovo"; eles simplesmente acessam a intenção e a imagem da ação. A ciência indica que isso não é uma deficiência, mas uma variação na arquitetura cognitiva humana.

Estudos recentes sugerem que a presença ou ausência dessa voz impacta a forma como resolvemos problemas e memorizamos informações. Pessoas com mentes silenciosas podem confiar mais em redes visuais ou espaciais do cérebro

Uma das descobertas mais intrigantes é que a falta de um narrador interno pode estar ligada a uma menor tendência à ruminação negativa, aquele ciclo de autocrítica verbal que alimenta a ansiedade, o que explicaria a sensação de "paz" relatada por muitos que habitam esse silêncio.

A descoberta dessa diversidade cognitiva desafia a ideia de que a linguagem é o único suporte para o pensamento complexo. Pesquisadores agora investigam como essa variação afeta o desempenho em tarefas linguísticas e a própria percepção do "eu". 

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