Oito anos após sua abertura, uma tumba de 55 metros com “antenas” no deserto do Saara finalmente revela sua idade

Um único esqueleto, quatro contas de casca de ovo de avestruz e duas fileiras de pedras apontadas para o leste: o enigma da tumba com “antenas”

Tumba no Saara
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em uma planície pedregosa do norte do Saara Ocidental, a cerca de 600 metros de altitude, há um montículo oval de pedras do qual partem duas fileiras de lajes em direção ao leste, em um lugar tão seco e inóspito que os pastores só vão até lá quando há chuvas intensas, conta a Archaeology Magazine. Ele fica ao lado do uádi Lawash el Telli, no limite oriental de Sluguilla Lawash, o sítio arqueológico com a maior concentração de arte rupestre pré-histórica da região, com 1.143 rochas gravadas.

Visto de cima, é como se tivesse antenas, daí o nome pelo qual esse monumento funerário é conhecido: “túmulo com antenas”. Já se suspeitava que fosse bem antigo, mas agora sabemos com certeza: uma equipe de arqueólogos acaba de determinar sua idade, situando-o entre 2.467 e 2.150 a.C.

A descoberta

Uma equipe da Universidade de Girona e do Ministério da Cultura Saaraui determinou a idade do túmulo, estrutura que foi escavada em abril de 2018, apenas parcialmente e de forma deliberada, já que somente metade do montículo foi aberta. Em seu interior havia os restos mortais de uma única pessoa, com idade entre 25 e 35 anos.

O corpo estava deitado de costas sobre o solo natural, sem uma cova, com a cabeça voltada para o sul e as pernas flexionadas em direção ao oeste. A pessoa usava um adorno composto por quatro contas feitas de casca de ovo de avestruz. As primeiras tentativas de datação, realizadas a partir do colágeno, fracassaram. Por isso, em 2025, os pesquisadores recorreram a outra técnica, baseada na bioapatita (a fração mineral dos ossos), utilizando duas amostras: uma do úmero e outra do fêmur. O resultado? A tumba tem entre 4.100 e 4.400 anos.

Até agora, considerava-se certo que essas estruturas tinham uma função funerária, mas isso nunca havia sido comprovado, e tampouco se sabia qual era sua idade. De fato, o único outro exemplar escavado na região, no uádi Tasua, não forneceu material arqueológico.

Tumba No Saara A) Localização do monumento; B) Vista aérea; C) Medidas

Agora sabemos que são, de fato, tumbas e que, além disso, podem ser situadas cronologicamente na sequência que Andoni Sáenz de Buruaga, da Associação Vasco-Saaraui para a Evolução Cultural, construiu com base em datações por radiocarbono realizadas no sul da região. Mais especificamente, elas pertencem ao final da primeira fase monumental, no Neolítico Final.

O Saara Ocidental abriga numerosos monumentos de pedra, mas estudá-los tem sido muito difícil devido à escassez de objetos, à má conservação dos ossos e aos conflitos armados. O primeiro monumento funerário de pedra da região foi escavado em 1902, sem que fossem encontrados restos mortais. Depois, entre 1970 e 1974, a Universidade de La Laguna estudou 33 monumentos, mas não os datou. A guerra de 1975 interrompeu quase todas as pesquisas, até que o cessar-fogo, entre 1991 e 2020, permitiu o retorno de equipes europeias. Desde então, projetos como o da Universidade de East Anglia escavaram túmulos cônicos que continham esqueletos articulados e poucos objetos.

Muitas incógnitas

O monumento foi construído com lajes de calcário local empilhadas, sem o uso de argamassa. Com exceção das lajes da cobertura, as demais pedras são relativamente pequenas, com menos de um metro. Por isso, a equipe de pesquisa acredita que um pequeno grupo de pessoas poderia tê-las transportado e construído a estrutura em pouco tempo, sem ferramentas especiais.

O montículo mede 12,5 por 10 metros e não ultrapassa os três metros de altura. As duas fileiras de pedras que formam as “antenas” começam um pouco afastadas, mas vão se aproximando ao longo de sua extensão, sem chegar a se tocar. Elas estão orientadas a 102° em relação ao norte.

Como apenas uma tumba e um esqueleto foram datados, ainda não é possível estabelecer conclusões. Não sabemos quem foi o povo que construiu o monumento nem por que as antenas apontam para o leste, embora outro estudo proponha que essa orientação possa estar relacionada a considerações astronômicas.

Imagem | Chronology and Funerary Practices Associated with Antennae Tumuli in Western Sahara (Joaquin Soler et al.)

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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