Entire: ex-CEO do GitHub lança alternativa feita para agentes de IA

Thomas Dohmke, que comandou o GitHub até 2025, colocou no ar o Entire, uma plataforma Git projetada para desenvolvedores e agentes de IA trabalharem juntos. A proposta é ousada, mas o GitHub continua sendo o lugar onde quase todo mundo guarda código

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Vinicius Braga

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Vinicius Braga trabalha há mais de 20 anos com conteúdo digital. Sempre foi um entusiasta da tecnologia e sempre acreditou que inovação não é só sobre máquinas ou códigos, mas sobre pessoas. No Xataka Brasil, usa suas experiências com mídia digital, dados e inteligência artificial para aproximar o público das grandes transformações do mundo tech e mostrar como o futuro já está acontecendo e pode ser acessado por todos.

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Thomas Dohmke, ex-CEO do GitHube , lançou nesta segunda-feira (26) o Entire, uma alternativa ao GitHub criada para um cenário em que agentes de IA escrevem boa parte do código. A plataforma já está aberta para qualquer desenvolvedor e, segundo a empresa, é a primeira "forja Git" (o serviço onde se guarda, revisa publica código) feita sob medida para a colaboração entre pessoas e agentes.

Dohmke deixou o GitHub em agosto de 2025. A Microsoft não nomeou um sucessor, e o GitHub passou a responder diretamente à divisão de IA da empresa. Em fevereiro deste ano, o Entire levantou US$ 60 milhões numa rodada liderada pela Felicis, com participação da M12, o braço de investimentos da própria Microsoft. A empresa diz que foi a maior rodada semente da história das ferramentas para desenvolvedores.

O que o Entire faz de diferente?

A aposta principal é aposentar o pull request, o pedido de revisão que hoje é o coração do GitHub. No lugar dele entra o Trail . Em vez de uma linha do tempo cheia de comentários, a página mostra no topo notas de avaliação calculadas por agentes a cada envio de código, em um painel que a empresa compara ao de um piloto de avião. O agente que programa corrige o que os agentes revisores apontam, em ciclos, e o desenvolvedor decide quando dá para juntar o código ao projeto. A ideia do Entire é que isso seja possível sem ler cada linha alterada.

Os outros dois pilares são:

  • Hospedagem Git distribuída: um servidor compatível com Git que, segundo a empresa, envia código até 89 vezes mais rápido que o GitHub e 6 vezes mais rápido que o Cursor Origin. Os repositórios privados podem ficar em regiões escolhidas pelo cliente, como Estados Unidos, União Europeia, Índia e Austrália.
  • Memória contínua: as sessões dos agentes e os comandos usados ficam salvos dentro do próprio repositório, para que outros agentes consultem e não repitam erros. A empresa afirma que isso economiza até 71% de tokens.

Para a parte de testes automáticos, o Entire fechou parceria com a Buildkite e a Depot, o que permite trocar o GitHub Actions por essas ferramentas.

Por que isso importa agora?

Porque o jeito de programar mudou rápido. Com agentes como os do Copilot, do Claude e do Cursor gerando código em volume, o gargalo deixou de ser escrever e passou a ser revisar, testar e aprovar. "Os agentes agora escrevem quase tudo, mais rápido e de forma mais complexa do que nunca", disse Dohmke no anúncio.

Vale a ressalva: os números de velocidade e de economia são da própria empresa e ainda não foram medidos por terceiros. O Entire também avisa que recursos importantes, como repositórios públicos e a opção de rodar os servidores por conta própria, ainda estão por vir.

E o GitHub, como fica?

O GitHub não está ameaçado por um lançamento. No ar desde 2008 e comprado pela Microsoft em 2018, ele é o padrão do mercado. Segundo o relatório Octoverse, publicado pela própria plataforma em outubro de 2025, são mais de 180 milhões de desenvolvedores e cerca de 630 milhões de repositórios, com quase 1 bilhão de commits só naquele ano. É onde estão os grandes projetos de código aberto, as empresas e o histórico de trabalho de boa parte dos programadores do mundo.

Esse peso conta. Trocar de plataforma envolve migrar código, automações, permissões e hábitos de times inteiros, e empresas costumam escolher o que já provou ser estável por anos. O GitHub também não está parado: o Copilot e os próprios agentes da Microsoft já rodam dentro dele.

Uma opção, não um substituto

Por isso, o Entire faz mais sentido como uma opção para quem quer experimentar do que como concorrente direto do GitHub. Ele tem a seu favor um fundador que conhece o problema por dentro, dinheiro em caixa e uma ideia clara sobre o futuro da revisão de código. Contra ele, pesa tudo o que o GitHub construiu em quase duas décadas: confiança, comunidade e um lastro que nenhuma startup tem no primeiro dia.

O Entire é uma aposta, e das interessantes. Se a revisão feita por agentes funcionar como promete, é provável que o próprio GitHub incorpore algo parecido. O que vale observar nos próximos meses é se times reais vão topar mover seus projetos, ou se o Entire vai servir, por enquanto, como laboratório do que o resto do mercado pode copiar.

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