Nem eles resistem: pesquisa aponta que chimpanzés selvagens bebem o equivalente a quase duas doses de álcool por dia

Os humanos podem ter tanto apreço pelo álcool devido à nossa evolução

Imagens: David Trinks | Brian Jones
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Um novo estudo, publicado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, aponta que chimpanzés selvagens consomem quantidades substanciais de etanol em sua dieta diária.

Para demonstrar isso, a equipe se deslocou até o Parque Nacional de Kibale, em Uganda, para monitorar um grupo de animais. Em vez de análises de sangue, os pesquisadores optaram por um método não invasivo, analisando a urina dos 19 chimpanzés selvagens. Nesse caso, o que se buscava não era o etanol em si, mas um biomarcador muito específico chamado etil glicuronídeo, que indica que o etanol foi processado.

A explicação dessa descoberta não está no álcool como o conhecemos, mas na alimentação. Durante a pesquisa, observou-se que os chimpanzés se alimentavam quase exclusivamente de uma espécie de árvore do dossel chamada maçã-estrelada africana.

Ao analisar essa fruta, verificou-se que ela continha álcool em uma proporção de 0,09%, enquanto em algumas colheitas podia chegar a 0,4%.

Após a realização das análises de urina nos chimpanzés, observou-se que, das 20 amostras individuais coletadas, 17 deram positivo para etil glicuronídeo, superando um limite de 300 ng por mililitro de urina. Além disso, de um conjunto de 11 dessas amostras positivas, 10 voltaram a dar positivo ao serem submetidas a um limite clínico muito mais alto, de 500 ng/ml.

O “macaco bêbado”

Os pesquisadores apontam que essa ingestão contínua de fruta fermentada se traduz em uma dose média de 14 gramas de etanol por dia para os chimpanzés. Em termos humanos, é como se tivessem bebido uma dose e meia por dia.

Essas descobertas oferecem um respaldo fisiológico essencial à famosa hipótese do “macaco bêbado”, que sugere que a atração que os humanos modernos sentem pelo álcool tem origem evolutiva. Esse apreço viria de uma adaptação de nossos ancestrais para localizar, pelo olfato à longa distância, frutos maduros e, portanto, mais calóricos, graças ao odor do etanol.

O problema é que esse vestígio do passado tomou um rumo equivocado, já que a questão atual reside em um desajuste evolutivo. Enquanto nossos ancestrais consumiam etanol em baixas concentrações de forma crônica por meio de uma dieta centrada em frutas, hoje os humanos têm acesso ao álcool destilado em quantidades massivas — e não por um mecanismo de sobrevivência.

Agora, essa descoberta não apenas muda nossa compreensão da ecologia alimentar dos primatas, como também abre caminho para futuras pesquisas sobre como esse consumo natural de álcool pode afetar o comportamento social dos chimpanzés, incluindo fatores como agressividade ou reprodução.

Imagens | David Trinks | Brian Jones

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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