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Na busca pela vida no espaço, cientistas alertam para um novo problema: os falsos negativos

Pode haver vida onde os experimentos dizem que não há — talvez estejamos só olhando do jeito errado

Vida no espaço
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

1995 publicaciones de Victor Bianchin

Volta e meia, aparecem notícias de que alguém encontrou possíveis sinais de vida no espaço. Todos esses achados costumam acabar sendo falsos positivos, algo com que os astrobiólogos estão mais do que familiarizados. No entanto, segundo um estudo que acaba de ser publicado na Nature Astronomy, os cientistas podem estar ignorando os falsos negativos — e isso sim seria grave.

O que os autores desse estudo apontam é que os falsos negativos podem ser mais comuns do que pensamos. Ou seja, muitas das vezes em que se conclui claramente que não há vida em um lugar do espaço, pode ser que ela exista, mas tenha passado despercebida sem ser detectada.

Pode haver três motivos pelos quais esses falsos negativos acontecem. Primeiro: os vestígios de vida não estão preservados. Ou seja, ela existe ou existiu, mas não deixa um rastro detectável. Segundo: pode ser que esse vestígio seja difícil de detectar. E terceiro: talvez, os métodos usados para detectar a vida tenham limitações.

Nessa linha, os autores do estudo dão um exemplo. Imaginemos que exista um ser vivo que, por meio de suas reações metabólicas, gere algum gás entendido como um vestígio de vida. Talvez oxigênio ou metano. Mas imaginemos também que haja uma atividade geológica nesse lugar que capture esse gás do ambiente. Não haveria como medi-lo. Por isso, a detecção de vida precisaria ser abordada a partir de outros pontos.

Há dois riscos principais em não prestar atenção aos falsos negativos. Em primeiro lugar, isso reduziria a prioridade dada a instrumentos que ajudariam a encontrar ainda mais vestígios de vida. Se não encontrarmos nada que justifique o desenvolvimento da vida, limitamos as possibilidades de continuar procurando. Em segundo, se a busca por vida não for feita adequadamente, recursos de outros planetas onde essa vida exista poderiam ser explorados — nós a destruiríamos antes mesmo de saber que ela existiu.

Soluções

Esses cientistas acreditam que a busca por padrões utilizando inteligência artificial pode ser uma opção. Se, até agora, os métodos habituais não funcionaram, talvez seja preciso pedir a um algoritmo que detecte padrões que passaram despercebidos por nós para encontrar novas formas de busca.

Nessa mesma linha, também seria necessário estudar melhor o terreno e prestar atenção a anomalias. Por exemplo, se em um planeta for detectado um tipo de oxidação pouco convencional, inexplicável com o que conhecemos na Terra, pode ser que ele esteja associado a alguma forma de vida. Talvez não se pareça com a oxidação realizada pelos seres vivos terrestres, mas quem disse que ela precisa ser igual? É preciso pensar fora da caixa.

Em resumo, esses cientistas consideram que, para buscar vida adequadamente, é necessário combinar experimentos de laboratório com modelagem e trabalho de campo. Mas, acima de tudo, é importante mudar as perguntas que fazemos: e se ela já tiver sido encontrada?

Em 2019, um ex-cientista da NASA contou em uma reportagem da Scientific American que, segundo ele, sua agência encontrou vida em Marte, mas a destruiu sem querer. Supostamente, tudo aconteceu na década de 1970, em um experimento que fazia parte da missão Viking. Ele consistia em depositar nutrientes no solo e verificar se eram produzidos gases típicos da decomposição microbiana. Depois, para garantir que não fosse coincidência, repetiriam o processo, mas adicionando ao solo uma substância letal para organismos vivos. Nesse caso, os gases não deveriam ser produzidos. E não foram, então havia algo vivo gerando os gases.

Foi uma grande notícia, mas a NASA não chegou a publicar esse resultado porque, ao tentar replicar o experimento, o teste deu negativo. Na ciência, é muito importante replicar os resultados, então concluíram que devia ter sido um falso positivo. No entanto, esse ex-membro da NASA, Gilbert V. Levin, considera que eles destruíram a vida sem querer e, por isso, não conseguiram replicar o experimento.

Isso não deixa de ser evidência anedótica. O mais provável é que, de fato, eles não tenham encontrado vida. Ainda assim, essa história demonstra que estamos sempre mais predispostos ao falso positivo do que ao falso negativo. Talvez fosse preciso mudar um pouco o foco. Quem sabe assim encontremos finalmente alguma forma de vida além do nosso próprio planeta.

Imagens | Eric Erbe e Christopher Pooley (imagem ilustrativa de E.coli, sem relação com o estudo), Brett Ritchie (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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