Médico brasileiro desenvolveu uma técnica que pode salvar joelhos no mundo todo ao preservar o menisco e prevenir artrose

Procedimento ortopédico desenvolvido durante doutorado na Universidade Federal do Ceará preserva a biomecânica do joelho, restaurando a função do membro e reduzindo custos cirúrgicos e riscos de artrose

Cirurgia no joelho. Créditos: ShutterStock
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma técnica cirúrgica criada no Brasil está mudando a forma como lesões no joelho são tratadas em diferentes partes do mundo. Desenvolvido pelo ortopedista Jonatas Brito, durante doutorado em Cirurgia na Universidade Federal do Ceará (UFC), o método preserva e restaura o menisco, estrutura interna do joelho que é fundamental para a estabilidade e prevenção de artrose.

A novidade na medicina ganhou visibilidade a partir de 2025, quando começou a ser aplicada em pacientes com lesões complexas e difíceis de diagnosticar. Com menos material cirúrgico, maior estabilidade articular e potencial para reduzir custos hospitalares, a técnica já recebeu reconhecimento científico internacional e expectativa de ser incorporada futuramente ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Técnica ortopédica criada no Brasil preserva o menisco em vez de removê-lo

Na medicina, o tratamento mais comum para lesões no menisco envolve a retirada parcial da estrutura lesionada. Embora essa abordagem alivie a dor no curto prazo, ela compromete a função do joelho, aumentando o risco de desgaste da cartilagem e de desenvolvimento de artrose.

A técnica desenvolvida por Jonatas Brito segue um caminho completamente diferente. Em vez de retirar o menisco, o procedimento busca restaurar sua anatomia e função original. A ideia é preservar o que o corpo já tem e evitar intervenções cirúrgicas agressivas que podem gerar danos no futuro. O método foi desenvolvido em parceria com uma equipe de pesquisadores especializados e se destaca por ampliar as possibilidades de tratamento em casos que antes tinham poucas alternativas eficazes. 

Entenda como funciona o procedimento e por que ele reduz o risco de artrose e novas lesões no futuro

A cirurgia para a restauração do menisco começa com uma inspeção mais detalhada da articulação do joelho, incluindo áreas que tradicionalmente recebem menos atenção em procedimentos convencionais. Isso permite ao médico identificar com maior precisão onde o menisco perdeu sua função e como ele pode ser restaurado.

Após a análise, ao invés de remover o tecido danificado, a técnica reposiciona o menisco com maior número de pontos de fixação, garantindo a tensão adequada para que ele volte a cumprir seu papel de distribuir cargas, proteger a cartilagem e contribuir para a estabilidade articular. O procedimento utiliza menos material cirúrgico, o que ajuda a reduzir custos hospitalares e o risco de complicações.

Outro diferencial da técnica está no impacto a longo prazo. Ao preservar o menisco, o joelho mantém sua biomecânica mais próxima do natural, diminuindo as chances de degeneração precoce e de evolução para quadros de artrose, um problema relativamente comum em pacientes que são submetidos à retirada da estrutura.

Técnica foi validada a partir de um caso clínico envolvendo uma bailarina

A eficácia do método ganhou visibilidade com o caso clínico da bailarina cearense Mirella Castro, hoje com 19 anos. Desde os 12, ela convivia com instabilidade, dores e travamentos no joelho, mesmo após passar por diversos exames e consultas médicas sem um diagnóstico. O problema só foi identificado em 2025, quando Mirella recebeu o diagnóstico de Ramp Lesion, um tipo de lesão no menisco posterior difícil de detectar em exames e que costuma evoluir quando não tratada adequadamente. Após Finalmente receber o diagnóstico para o problema que a acompanhava há anos, Mirella se tornou uma das pacientes beneficiadas pela técnica de preservação do menisco. Após a cirurgia e um processo cuidadoso de reabilitação, que inclui fisioterapia e exercícios específicos para o balé, Mirella conseguiu retomar as atividades sem dor ou medo


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