Alguns terremotos são tão intensos que seus efeitos ultrapassam muitos quilômetros a região do epicentro. Os maiores tremores já registrados pela ciência provocaram tsunamis, deslocaram milhões de pessoas e alteraram a rotação da própria Terra.
O maior deles aconteceu no Chile, em 1960, e atingiu magnitude 9,5, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O terremoto de Valdivia continua sendo o mais forte já registrado por instrumentos modernos.
O que é um terremoto de magnitude 9?
A magnitude de um terremoto indica a quantidade de energia liberada pelo tremor. Nos grandes terremotos, a medida utilizada atualmente é a magnitude de momento (Mw), considerada mais adequada para eventos muito fortes do que a tradicional escala Richter.
A escala é logarítmica, o que significa que um aumento de apenas um ponto representa uma diferença enorme na energia liberada. Por isso, um terremoto de magnitude 9 libera cerca de 32 vezes mais energia em comparação com um terremoto de magnitude 8.
Eventos de intensidade 9 são extremamente raros e normalmente acontecem em grandes zonas de subducção, onde uma placa tectônica mergulha sob outra, desloca o fundo do oceano e pode provocar tsunamis capazes de atravessar oceanos quilômetros.
#5 Kamchatka, Rússia — magnitude 9,0 em 1952
O terremoto atingiu a península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, em 4 de novembro de 1952. Foi o primeiro tremor de magnitude 9 registrado por instrumentos, e ocorreu em uma das regiões mais sísmicas do planeta, próxima à zona de subducção onde uma placa tectônica mergulha sob outra.
O terremoto provocou um tsunami de grandes proporções, que atravessou o Pacífico e chegou ao Havaí. O USGS estima que o fenômeno tenha causado mais de US$ 1 milhão em danos no arquipélago.
#4 Tōhoku, Japão — magnitude 9,1 em 2011
Em 11 de março de 2011, o nordeste do Japão foi atingido por um terremoto de magnitude 9,1. Conhecido como Grande Terremoto de Tōhoku, o evento provocou um dos tsunamis mais destrutivos da história recente.
Mais de 15 mil pessoas morreram e cerca de 130 mil foram deslocadas, segundo o ranking do USGS.
Balsa arrastada para terra firme após tsunami no Japão. Foto: Wikimedia Commons
Terremoto também alterou a rotação da Terra
A intensidade do terremoto japonês modificou a distribuição da massa no interior do planeta. Com isso, a Terra passou a girar ligeiramente mais rápido.
Cálculos preliminares feitos por pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, estimaram que o terremoto poderia ter encurtado a duração de um dia em aproximadamente 1,8 microssegundo.
O mesmo cálculo indicou uma mudança de cerca de 17 centímetros na posição do eixo de figura da Terra, o eixo relacionado à distribuição de massa do planeta. Apesar disso, não significa que os dias tenham ficado perceptivelmente mais curtos. A alteração é pequena demais para ser percebida no cotidiano.
#3 Sumatra, Indonésia — magnitude 9,1 em 2004
Na manhã de 26 de dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,1 ocorreu no oceano, próximo à costa oeste de Sumatra, na Indonésia.
O tremor desencadeou um tsunami que atingiu vários países banhados pelo Oceano Índico. As ondas avançaram por regiões da Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia e outros países, chegando até a costa leste da África.
O desastre deixou mais de 280 mil mortos e deslocou aproximadamente 1,1 milhão de pessoas, de acordo com o USGS.
Tsunami causado pelo terremoto foi capaz de carregar embarcações ao topo de edifícios. Foto: Wikimedia Commons
Pesquisadores da NASA calculam que o movimento provocado pelo terremoto alterou a distribuição da massa terrestre e, consequentemente, afetou a rotação do planeta. A estimativa apontou uma redução na duração do dia e uma pequena mudança na posição do Polo Norte.
Por que um terremoto consegue mexer na rotação da Terra?
Quando uma enorme quantidade de rocha se desloca durante um terremoto, a distribuição da massa do planeta sofre uma pequena alteração. É um princípio semelhante ao que faz uma pessoa girando em uma cadeira mudar sua velocidade ao aproximar ou afastar os braços do corpo.
No caso da Terra, entretanto, a alteração é extremamente pequena. O planeta possui uma massa gigantesca, e mesmo os maiores terremotos provocam apenas mudanças microscópicas na duração do dia.
#2 Alasca, Estados Unidos — magnitude 9,2 em 1964
Em 28 de março de 1964, o sul do Alasca foi atingido pelo maior terremoto já registrado nos Estados Unidos.
O chamado Grande Terremoto do Alasca, ou terremoto da Sexta-Feira Santa, atingiu magnitude 9,2 e durou vários minutos. O epicentro ficou na região de Prince William Sound.
Avenida de Anchorage, cidade mais populosa do Alaska, destruída pelo sismo. Foto: Wikimedia Commons
O tremor provocou um grande tsunami e causou mortes e danos em diferentes áreas do Alasca e da costa oeste da América do Norte.
O USGS classifica o evento como o segundo maior terremoto registrado por instrumentos modernos.
O impacto foi tão grande que as vibrações do terremoto foram registradas em diversas partes do país. O USGS afirma que o evento chegou a fazer a Terra "ressoar como um sino", produzindo ondas sísmicas detectadas muito longe da região atingida.
#1 Valdivia, Chile — magnitude 9,5 em 1960
O primeiro lugar do ranking pertence ao Grande Terremoto do Chile, ocorrido em 22 de maio de 1960.
Com magnitude 9,5, o terremoto de Valdivia é oficialmente o maior já registrado por instrumentos modernos. O tremor ocorreu no sul do Chile e rompeu uma área gigantesca da zona de subducção da costa do país.
Rua destruída no centro de Valdívia após tremor 9.5. Foto: Wikimedia Commons
O terremoto provocou um tsunami que atravessou o Oceano Pacífico e atingiu localidades tão distantes quanto o Havaí e o Japão.
Cerca de 2 milhões de pessoas ficaram desabrigadas, enquanto o número de mortos é estimado pelo USGS em mais de 1,6 mil.
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