Imagine viver em uma região onde o inverno pode durar cerca de sete meses, com neve abundante e temperaturas tão baixas que torna a vida ao ar livre um grande desafio. Para enfrentar tais condições, uma cidade no extremo norte do Canadá pensou em uma solução totalmente incomum: construir uma muralha habitável de 1,3 quilômetros, projetada para bloquear os ventos e concentrar boa parte da vida urbana em seu interior.
O edifício gigantesco conta com vários serviços, funcionando praticamente como uma cidade dentro da própria cidade. A estrutura foi construída no início dos anos 1970 para atender trabalhadores de uma região de mineração de ferro e acabou se tornando a principal característica de Fermont.
A muralha de 1,3 quilômetro foi criada para proteger a cidade do frio
Uma muralha habitável foi a solução encontrada para tornar possível a vida em uma das regiões mais frias e remotas do Canadá. A história da muralha de Fermont começa no final dos anos 1960, quando a exploração da Mina Mont Wright, rica em minério de ferro, exigiu a criação de uma nova comunidade para receber cerca de 1.600 trabalhadores e suas famílias. O problema era que não bastava construir casas em uma região remota do Canadá: seria preciso encontrar uma maneira de tornar a vida suportável durante os meses de frio intenso.
Para tentar resolver esse problema, a solução foi transformar a arquitetura em uma barreira contra o clima. Liderado pelos arquitetos Maurice Desnoyers e Norbert Schoenauer, o projeto foi inspirado em construções desenvolvidas pelo arquiteto sueco Ralph Erskine para cidades mineradoras em regiões de clima rigoroso.
Conhecida como The Wall, ou “A Muralha”, a estrutura foi concluída em 1974 e se estende por aproximadamente 1,3 quilômetros. Além de funcionar como quebra-vento, a construção foi planejada para abrigar parte importante da população e concentrar serviços que normalmente estariam espalhados pela cidade. O edifício também possui corredores internos que conectam diferentes áreas, permitindo que os moradores se desloquem sem precisar sair da estrutura e enfrentar o frio do lado de fora.
Por dentro da enorme estrutura que protege os moradores do inverno
A muralha de Fermont funciona como uma barreira contra os ventos, mas também abriga moradias, comércio e serviços
Nitidamente, a muralha de Fermont é uma construção arquitetônica incomum, mas sua grande diferença está no fato de que ela não funciona apenas como uma enorme barreira contra o vento. Seu interior concentra boa parte da infraestrutura necessária para viver, como moradias e alguns serviços, permitindo que os moradores tenham acesso ao que precisam sem a necessidade de enfrentar sempre o frio rigoroso.
Atualmente, a estrutura abriga apartamentos, lojas, restaurantes, escola, centro de saúde, piscina, hotel e outros serviços. Há ainda espaços de entretenimento e áreas destinadas às atividades da comunidade. Dois restaurantes, o Pub Le Réphil e o Resto-Bar Zonix, também funcionam dentro da construção.
Para muitos brasileiros, acostumados a um clima bem mais ameno, a ideia de passar boa parte do dia dentro de uma estrutura como essa pode parecer claustrofóbica. Em Fermont, porém, a lógica ganha outro sentido durante o inverno. A cidade possui um clima subártico, marcado por invernos longos e rigorosos, com temperaturas muito baixas e queda de neve que pode chegar a aproximadamente 2,9 metros ao longo da temporada.
No entanto, vale reforçar que a estrutura não acaba de vez com o frio rigoroso, mas muda a maneira como os moradores convivem com ele. A proteção contra o vento e a concentração dos serviços, por exemplo, permitem que boa parte das atividades cotidianas aconteçam em ambientes internos durante os períodos mais severos. E apesar da muralha dominar a paisagem, Fermont não está totalmente escondida dentro dela. A cidade também possui casas e outras construções do lado externo, além de belezas naturais, como trilhas, lagos, campos esportivos e atividades ao ar livre.
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