A NASA quer partir rumo a Marte em dezembro de 2028. O segredo para isso: reatores nucleares

O reator que viajará até Marte utiliza tecnologias tradicionais, unidas ao que há de mais avançado na NASA

Space Reactor-1 (SR-1) Freedom
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Praticamente todas as empresas espaciais mais importantes concordam que o futuro da exploração espacial passa por alimentar as naves com energia nuclear. Por isso, a NASA já definiu a data de sua primeira viagem interplanetária com propulsão nuclear-elétrica. Ela será possível graças ao Space Reactor-1 (SR-1) Freedom, que será lançado em dezembro de 2028 com destino a Marte.

Faz tempo que a NASA demonstrou interesse em realizar esse lançamento em 2028. Agora, a agência garantiu que tudo está avançando em bom ritmo e que, se continuar assim, a data poderá ser confirmada por volta do último mês deste ano. Para cumprir os prazos, estão sendo usadas tecnologias previamente testadas pela NASA. Algumas, por exemplo, vêm da Estação Lunar Gateway, cujo desenvolvimento está atualmente paralisado. Com essas tecnologias, unidas a um novo sistema de reator nuclear, será levado a Marte um trio de helicópteros semelhantes ao Ingenuity, batizados de Skyfall.

O SR-1 funciona com um sistema fechado de Ciclo Brayton, algo muito comum para obter energia. Normalmente, nesse tipo de sistema, ocorre uma reação de combustão com a qual se obtém energia na forma de calor. Esse calor é usado para aquecer um gás, que se expande e movimenta uma turbina. O resultado é uma energia mecânica que pode servir, por exemplo, para gerar eletricidade. Depois, quando o gás esfria, um novo ciclo começa; por isso se diz que é um ciclo fechado.

No caso do SR-1, tudo é quase idêntico. A única diferença é que, em vez de um combustível, utiliza-se uma reação de fissão nuclear para obter o calor. Assim, não é necessário transportar grandes quantidades de combustível para o espaço. Basta uma reação em cadeia como as usadas nas usinas nucleares.

Motores elétricos

A eletricidade obtida nesse ciclo fechado é usada para alimentar motores elétricos em um processo que é ativado 48 horas após o lançamento. Depois, pode permanecer ativo durante o ano inteiro da viagem até Marte. Por outro lado, essa mesma eletricidade também pode ser usada para outras finalidades, como as comunicações com a Terra.

A principal aplicação da energia nuclear no espaço será em viagens de distâncias muito longas, em que as naves estão tão longe do Sol que os painéis solares já não servem para nada. No entanto, ela também pode ser útil em distâncias muito menores. Se essa viagem a Marte der certo, a NASA planeja usar essas tecnologias em uma base lunar instalada na cratera Shackleton. Estrategicamente, é uma boa localização, mas apresenta a desvantagem de estar continuamente na sombra (por isso, não se pode usar energia solar). A fissão nuclear poderia ser muito mais útil.

O SR-1 é o resultado de 60 anos de pesquisa, com um investimento de 20 bilhões de dólares. Embora possa parecer algo novo, há muito tempo de trabalho por trás. Se os projetos da NASA saírem como previsto, o tempo e o dinheiro terão sido muito bem investidos.

Imagem | NASA

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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