Microplásticos nas garrafinhas: um litro de água contém 240.000 fragmentos de plástico detectável

Estudo analisou 20 marcas e apenas uma está livre dos contaminantes

Garrafas de água
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Melhor sabor, odor e motivos de saúde. Essas são as principais razões pelas quais as pessoas bebem água engarrafada, de acordo com um estudo da Universitat Autònoma de Barcelona. Mas, apesar dessas benesses, um novo estudo mostra que a água engarrafada tem micro e nanoplásticos em quantidades muito maiores do que as antes previstas.

Alguns pesquisadores da Universidade Columbia analisaram três marcas populares de água engarrafada nos Estados Unidos (cujos nomes não foram divulgados) em busca de micro e nanoplásticos. Para isso, usaram uma nova técnica chamada microscopia de dispersão estimulada Raman, baseada em sondar as amostras com dois lasers simultâneos ajustados para fazer moléculas específicas entrarem em ressonância.

Analisando sete plásticos comuns, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para interpretar os resultados. De acordo com Wei Min, coinventor da técnica e coautor do estudo em questão, “uma coisa é detectar e outra é saber o que você está detectando”.

O estudo revelou que um litro de água engarrafada contém, em média, 240.000 fragmentos de plástico detectável, entre 10 e 100 vezes mais do que as estimativas anteriores. Os pesquisadores afirmam ter encontrado entre 110.000 e 370.000 fragmentos de plástico em cada litro, dos quais 90% eram nanoplásticos. Nesse sentido, é importante lembrar a diferença entre micro e nanoplásticos:

  • Microplásticos: aqueles cujo tamanho varia entre 100 nanômetros e cinco milímetros.
  • Nanoplásticos: aqueles cujo tamanho é igual ou inferior a 100 nanômetros.

Um vilão conhecido

Para surpresa de ninguém, um dos plásticos mais comuns era o tereftalato de polietileno, mais conhecido como PET. É o material de que muitas garrafas são feitas. “Provavelmente ele chega à água ao se desprender em pequenos pedaços quando a garrafa é apertada ou exposta ao calor”, afirmam os pesquisadores, que citam outro estudo que sugere que ele também pode se desprender ao abrir e fechar repetidamente a tampa.

Embora a presença de PET seja comum, esse plástico é superado pela poliamida, um tipo de náilon que “provavelmente vem dos filtros de plástico usados para supostamente purificar a água antes de engarrafá-la”, afirma Beizhan Yan, pesquisador do estudo. Outros plásticos comuns encontrados pelos pesquisadores foram o poliestireno, o cloreto de polivinila e o polimetacrilato de metila.

A técnica utilizada contempla os sete plásticos mais comuns, mas há muitos outros plásticos. Segundo a Universidade Columbia, “os sete tipos de plástico que os pesquisadores procuraram representavam apenas cerca de 10% de todas as nanopartículas que encontraram nas amostras; eles não têm ideia do que é o restante. Se todos forem nanoplásticos, podem ser dezenas de milhões por litro”.

Outros estudos já haviam detectado a presença de microplásticos em placas de ateroma nas artérias, o que aumenta os riscos de infarto. A Associação Americana de Diabetes também afirma que alguns componentes encontrados nas garrafas, como o BPA e os já mencionados microplásticos, aumentam a resistência à insulina, reduzindo assim sua eficácia.

Imagens | Jonathan Chng (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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