Nem elétrico, nem a combustão: novo trem de transporte do Aeroporto de Guarulhos usa nova tecnologia desenvolvida no Brasil

Em fase de testes, aeromóvel amplia acesso ao público e surge como alternativa mais rápida aos ônibus internos

Sistema Aeromovel De Guarulhos Aerogru
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Em grandes cidades, onde o trânsito é um dos principais desafios de mobilidade, novas tecnologias podem mudar a forma como as pessoas se deslocam. Em São Paulo, esse problema faz parte da rotina, e é nesse contexto que o Aeroporto de Guarulhos inovou com uma solução que promete agilizar o deslocamento de passageiros entre os terminais e a estação de trem: o Sistema Aeromóvel de Guarulhos (AeroGRU), também conhecido como “people mover”.

O aeromóvel faz a ligação entre a estação Aeroporto-Guarulhos da Linha 13-Jade e os terminais do Aeroporto Internacional e, mais recentemente, teve o acesso ampliado para o público geral.  Até então, o embarque era restrito apenas a funcionários do aeroporto devidamente identificados. A liberação ocorre de forma gradual e ainda integra a fase de testes pré-operacionais. Neste momento, o serviço funciona das 16h à meia-noite, com apenas um trem operando em sistema de ida e volta, com paradas em todas as estações do trajeto. Mesmo com essas limitações, a nova opção já se mostra mais eficiente do que o transporte por ônibus dentro do aeroporto.

AeroGru: um sistema diferente de tudo o que você já viu

Aeromovel Gru O aeromóvel percorre cerca de 2,7 km, conectando a estação Aeroporto-Guarulhos da Linha 13-Jade aos três terminais do aeroporto

A expansão do acesso ao people mover de Guarulhos representa uma inovação no transporte que melhora a mobilidade, torna os deslocamentos mais rápidos e contribui para um sistema mais eficiente e sustentável. O sistema foi projetado para facilitar o deslocamento de passageiros entre a estação da CPTM e os terminais de embarque, em um trajeto de cerca de 2,7 quilômetros  que, até então, era feito exclusivamente por ônibus.

Embora ainda esteja em testes, a expectativa é que a operação completa seja liberada ao longo de 2026. Segundo a empresa responsável pelo sistema, a abertura total depende de etapas técnicas, especialmente ligadas à homologação do sistema de sinalização, considerada mais complexa do que o previsto inicialmente.

Com a operação em andamento, o aeromóvel já mostrou vantagens: reduz o tempo de deslocamento interno no aeroporto e opera de forma automatizada, com maior previsibilidade nos trajetos. Para quem embarca ou desembarca em voos nacionais e internacionais em Guarulhos, a expectativa é que essa mudança simplifique bastante a conexão com o transporte ferroviário.

Entenda como funciona o aeromóvel e por que ele é diferente

Apesar de circular sobre trilhos, o aeromóvel não funciona como um trem comum, e é aí que está o seu grande diferencial. Ao invés de motores instalados nos próprios veículos, o sistema utiliza propulsão pneumática, ou seja, o movimento acontece por meio da pressão do ar. Ventiladores instalados nas estações enviam ar comprimido por dutos ao longo da via elevada, empurrando ou puxando o trem por meio de uma placa acoplada à sua estrutura. Esse modelo traz algumas vantagens importantes:

  • O veículo é mais leve, já que não carrega motor
  • O consumo de energia é menor
  • O sistema é mais silencioso e com menos emissão de poluentes
  • Há menor desgaste mecânico

O aeromóvel possui dois vagões, com capacidade para até 200 passageiros. O sistema é totalmente automatizado, com portas de plataforma, sistemas redundantes de segurança e operação contínua mesmo em casos de queda de energia, devido aos geradores de backup. Além disso, outro ponto que gera confusão é a comparação com monotrilhos. Embora os dois transitem em vias elevadas, o aeromóvel utiliza rodas de aço sobre trilhos duplos e não possui tração própria, o que o torna uma tecnologia única, desenvolvida no Brasil. 


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